Sérgio Neves/Estadão
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Polícia indicia mãe de crianças feridas por incêndio em favela

Moradora da Favela Portelinha da Penha confessou ter deixado seus dois filhos sozinhos, de 3 e 4 anos, para participar de um programa de auditório

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

03 Abril 2014 | 20h23

SÃO PAULO - A Polícia Civil acusa uma moradora da Favela Portelinha da Penha, na Penha, zona leste de São Paulo, de ter indiretamente sido a responsável pelo incêndio ocorrido na tarde desta quarta-feira, 2, que deixou 360 famílias desabrigadas.

Segundo a polícia, ela confessou ter deixado seus dois filhos sozinhos, de 3 e 4 anos, para participar de um programa de auditório do SBT, na Rodovia Anhanguera, há mais de 30 quilômetros dali. Sozinhas, as crianças colocaram fogo na casa ao tentar cozinhar, segundo a polícia. Ambas estão internadas no Hospital do Tatuapé, também na zona leste. Uma delas está com falência renal por causa da fumaça inalada e corre risco de morrer.

"Estou indiciando ela pelo abandono das crianças, por lesão corporal das outras pessoas feridas, por dano e por incêndio. Se a filhinha dela morrer, e ela está em estado gravíssimo, com o rim parado, vou indiciar por homicídio doloso (com intenção)", disse, revoltado, o delegado Carmino Pepe, do 10o. Distrito Policial (Penha), que preside as investigações.

O delegado mostrou-se indignado com o fato de a mulher ter deixado os filhos sozinhos para ir ao programa de TV. "Você não acha que ela não deixaria eles sozinhos também para ir ao baile?", questionou.

Pepe disse também que havia acionado o Conselho Tutelar para tentar retirar da mulher a guarda das crianças. Ele, no entanto, disse que não chegou a perguntar se as crianças têm pai -- que tem direito à guarda dos filhos.

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