Reprodução/Câmera de Segurança
Reprodução/Câmera de Segurança

Polícia indicia filha e namorada por morte de família e pede novas prisões

Três pessoas foram encontradas em carro incendiado em São Bernardo na terça passada. Filha das vítimas está presa suspeita de participação no caso

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 20h28
Atualizado 03 de fevereiro de 2020 | 17h40

SÃO PAULO - A Polícia Civil indiciou Ana Flávia Gonçalves e Carina Ramos pela morte de Flaviana Gonçalves, Romuyuki Gonçalves e Juan Victor Victor Gonçalves, mãe, pai e irmão de Ana Flávia. Nesta sexta-feira, a polícia pediu novas prisões de suspeitos ligados ao caso. 

As suspeitas voltaram a ser ouvidas nesta sexta e fizeram mudanças na versão que haviam apresentado. Até as 20h, elas continuavam prestando depoimento na sede da Delegacia de Investigações Criminais, de São Bernardo. Os investigadores ainda aguardam laudos e perícias que poderão fornecer novos dados ao inquérito e ajuda a esclarecer completamente o caso. 

O indiciamento é um reconhecimento formal da polícia de que existem elementos suficientes para apontar a autoria do crime para Ana Flávia e Carina. Elas poderão responder ao crime de triplo homicídio qualificado na Justiça, mas isso ainda dependerá da analisa do Ministério Público fizer do caso. É o MP o órgão responsável por apresentar uma denúncia criminal formal ao judiciário, mas isso não tem prazo para ocorrer. 

Família diz não ter dúvida sobre envolvimento de Ana Flávia e Carina no caso

A família de Flaviana Gonçalves, encontrada morta com o marido e o filho em um veículo incendiado em São Bernardo do Campo, disse não ter dúvidas quanto ao envolvimento da filha da vítima no triplo homicídio. Ana Flávia Gonçalves e sua namorada, Carina Ramos, estão presas desde a quarta-feira sob suspeita de terem cometido o crime. Outros suspeitos são investigados. 

Nesta sexta, elas voltaram à Delegacia de Investigações Criminais de São Bernardo para prestar o terceiro depoimento. Dessa vez, ela estão sendo confrontadas também pela mãe de Flaviana, Vera Guimarães, que participou das oitivas. Vera é avó de Ana Flávia e a polícia esperava que a presença dela pudesse alterar a versão que a suspeita vem apresentando, de negar envolvimento no caso. 

Diogo Reis, primo de Flaviana, falou na porta da delegacia nesta tarde. “Hoje a família não tem mais dúvida”, disse quando questionado sobre a percepção dos parentes quanto às suspeitas que recaem sobre Ana Flávia e Carina. “A família foi vítima de uma emboscada”, acrescentou.  

Ele refutou as informações de que as vítimas seriam homofóbicas. “A Ana Flávia já foi casada, eles (os pais) foram padrinhos de casamento da filha com uma mulher. Tem as fotos aqui, todos felizes no casamento”, contou. Reis disse que as restrições dos pais se dirigiam especificamente ao namoro mais recente da filha, que já dura dois anos com Carina. 

“Existia um descontentamento da família em relação ao relacionamento com a Carina. Mas não que não aceitavam relacionamento homossexual. (O problema ocorria) por conta do jeito que era a Carina com eles. Não tem nada de homofóbico. Quem cometeu o crime vai tentar destruir a imagem da família”, disse o primo da vítima. 

Reis contestou também a informação dada por Ana Flávia e Carina de que as vítimas saíram naquela noite para realizar o pagamento de um agiota. “O primeiro ponto que colocaram era que o Romuyuki saiu de casa para pagar um agiota. Ele era um executivo de sucesso, com duas lojas, que  trabalhava ainda na Volkswagen. Ele não ia sair de 1h da manhã para pagar dívida com o filho dentro do carro”, disse. 

Essa desconfiança também é levantada pela polícia, que viu contradições no depoimento das suspeitas e pediu a prisão delas. Elas já haviam prestado depoimento na madrugada da terça, quando o carro incendiado foi encontrado, e na tarde desta quinta, após a prisão. Nesta sexta, elas voltaram à delegacia para novo depoimento, mas o teor da oitiva não foi divulgado. A prisão de ambas tem prazo de 30 dias.

Cronologia do Caso

  • Carro da família, um Jeep Compass chega ao condomínio por volta das 22h da segunda-feira, 27. Polícia acredita que esteja sendo dirigido por Flaviana. Na casa, estariam Romuyuki, Juan Victor, Ana Flávia e Carina, que havia chegado a pé poucas horas antes.
  • Por volta da 1h da terça-feira, 28, o carro de Ana Flávia e o carro Compass, de Flaviana, saem do condomínio. A polícia acredita que parte das mortes já tinha ocorrido nesse momento e provavelmente os corpos estavam no porta-malas de algum dos carros. Flaviana estaria dirigindo sob ameaça das suspeitas. 

  • Perto das 3h da terça-feira, 28, a polícia é acionada para uma ocorrência envolvendo um carro incendiado na Estrada do Montanhão, em São Bernardo. No porta-malas do Compass, encontram corpos carbonizados, mas naquele momento não conseguem quantificar o número de vítimas. Os corpos são levados para o IML e identificados a partir da arcada dentária. Eram Romuyuki, Flaviana e Juan Victor. 
  • Na madrugada da terça, Ana Flávia e Carina prestam depoimento na polícia. Elas dizem que a família tinha uma dívida de R$ 200 mil com um agiota e que ele era violento. Acrescentam que Flaviana saiu de casa, de madrugada, para realizar o pagamento, e disse que iria para Minas Gerais na sequência. Informações levantam primeiras suspeitas da polícia, principalmente em razão da presença de Juan Victor num pagamento a um agiota de madrugada, o que é pouco provável. 
  • Outras contradições levam a polícia a apresentar à Justiça um pedido de prisão temporária de Ana Flávia e Carina. O pedido é deferido e elas são presas na noite de quarta-feira, 29. Elas ficarão presas por no mínimo 30 dias. A polícia não esclareceu qual motivo teria levado o casal a atacar a própria família. 

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