Polícia identifica terceiro suspeito de furtar telas de museu

Grampo após roubo de blindado levou à prisão de pelo menos dois dos envolvidos no furto do Masp

Bruno Tavares e Rodrigo Pereira, O Estado de S. Paulo

10 de janeiro de 2008 | 09h03

A polícia já tem o nome do terceiro suspeito de integrar o grupo que invadiu o Museu de Arte de São Paulo (Masp), no 20 de dezembro, e levou as telas O Retrato de Suzanne Bloch, de autoria de Pablo Picasso, e O Lavrador de Café, de Cândido Portinari. As telas foram recuperadas na última terça-feira, 8, em uma casa simples, na periferia de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Segundo informações policiais, surgiu de um grampo telefônico a primeira pista da polícia para desvendar o paradeiro das telas. No rastro de uma quadrilha envolvida no assalto a um carro-forte, investigadores do Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado (Deic) ouviram de um dos suspeitos monitorados a menção ao Masp num telefonema. Primeiro, o Deic prendeu Francisco Laerton Lopes de Lima, de 33 anos, e, a partir dele, chegou ao comparsa, Robson de Jesus Jordão, de 32, e ao "cativeiro" em que os quadros estavam escondidos, em Ferraz. Embora o Deic tenha fortes indícios de que o crime foi encomendado por R$ 5 milhões, a Polícia Civil investiga uma tentativa de extorsão ao museu. No dia 3, uma carta endereçada ao presidente do Masp, Julio Neves, pedia US$ 10 milhões de resgate pelas telas. As exigências iniciais eram típicas de seqüestro, como a de que a polícia e a imprensa ficassem longe do caso. O texto mandava a direção do museu publicar um anúncio num jornal do Vale do Paraíba, em 15 de janeiro, com os dizeres: "Está à venda uma fazenda que pertenceu a Cândido Portinari." O comunicado deveria conter ainda o número de um telefone celular para que os criminosos pudessem dar continuidade às negociações. Só depois disso eles enviariam fotos comprovando que estavam com as telas. O que a polícia quer saber é se os próprios ladrões eram os remetentes da carta ou se o museu foi alvo de golpistas.  Antes de serem levadas para Ferraz, as obras foram escondidas em outra casa. Ao ser preso, Jordão, foragido da Justiça, admitiu aos investigadores que já se preparava para transferi-las para um terceiro endereço. Réveillon em Caraguatatuba A prisão de Lima ocorreu no dia 27, numa oficina na Avenida Laranja da China, bairro do Limoeiro, zona leste, com base em dados passados por informantes. Ele estava em liberdade condicional e cumprira pena no Centro de Detenção Provisória 1 (CDP) de Guarulhos. No mesmo dia, o Deic passou a monitorar os passos de Jordão. Policiais fotografaram o réveillon do assaltante em Caraguatatuba, no litoral norte, e suas negociatas no centro da capital.  "Ele era um nômade. Nunca ficava num lugar só", disse o delegado Adílson Marcondes, da 3º Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio do Deic. Jordão foi preso na tarde de terça-feira caminhando na Rua Tagipuru, na Barra Funda, zona oeste. Ele confirmou informações que a polícia já tinha sobre o esconderijo em Ferraz.  O bandido chegou a desdenhar dos investigadores ao ver suas fotos no réveillon. "Vocês não têm vida, não? Eu aproveito. Só não tenho vida quando volto aqui", disse Jordão, que fugiu da Penitenciária de Valparaíso. Questionado sobre a escolha dos quadros de Picasso e Portinari, o bandido respondeu: "Tinha um Monet lá que valia bem mais. Só que esses dois tinham mercado." Nos depoimentos formais, os dois detidos negam participação no furto. Confirmam, porém, ter participado das tentativas anteriores de invasão ao Masp - em 29 de outubro e 18 de dezembro. Logo após a prisão de Lima, o Deic intimou dois vigias feitos reféns na primeira investida do bando. Ambos reconheceram o assaltante. "Eles não pegaram os quadros por acaso nem pretendiam ficar com as telas", disse Marcondes. "Só não sabemos se as obras seriam mandadas para o exterior ou não." (Colaboram Josmar Jozino e Camilla Haddad, do Jornal da Tarde)

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