Polícia identifica condutor de carro usado em fuga

Investigadores esperam por depoimento de amigo de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, acusado de matar Glauco e o filho

Marcelo Godoy e Tatiana Piva, O Estadao de S.Paulo

14 Março 2010 | 00h00

A Polícia Civil de São Paulo identificou ontem o condutor do veículo usado na fuga do universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, acusado de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, de 53, e seu filho Raoni, de 25. O crime ocorreu na madrugada de sexta-feira em Osasco, na Grande São Paulo.

O Volkswagen Gol cinza foi apresentado pela proprietária e mãe de um rapaz de 23 anos, suspeito de ter dado cobertura a Nunes. O carro estava em uma residência em Pinheiros, zona oeste de São Paulo.

O jovem é amigo do acusado de duplo homicídio e estaria no carro à sua espera na madrugada do crime. A mãe do jovem deu as primeiras informações à polícia, mas ainda não havia prestado depoimento. Ontem à tarde, ela não sabia do paradeiro do filho.

A polícia negociava até as 22 horas a apresentação do rapaz para prestar depoimento, segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

O jovem condutor se comprometeu a se apresentar à polícia acompanhado de seu advogado em momento oportuno.

A Polícia Civil trabalha também com a hipótese de que uma terceira pessoa estaria no carro com Nunes e o motorista.

Seguindo o rastro do acusado, a polícia continuava desde a manhã de ontem a tentar localizar o universitário. Todos os endereços conhecidos do estudante haviam sido visitados por investigadores da Polícia Civil, mas ele não foi encontrado.

Com o fim do prazo do flagrante, a prisão temporária por 30 dias do acusado deveria ser pedida à Justiça.

Segundo informações do delegado Arquimedes Cassão Veras, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Osasco, agentes de dez delegacias da região foram destacados para procurar o suspeito. Como é de praxe, a polícia paulista já comunicou as Polícias Civis de todos os Estados do País, a Polícia Federal e também a Interpol sobre as buscas do acusado.

Os policiais trabalhavam também com a hipótese de o rapaz ter se suicidado e, por isso, também se concentravam em uma eventual localização de corpo com as descrições de Nunes.

Na noite do crime, antes de atirar em Glauco e Raoni, o universitário havia apontado a arma que levava para a sua própria cabeça, afirmando que iria se matar, segundo relataram testemunhas que o apontam como autor dos disparos contra o cartunista e o seu filho.

Ainda segundo a polícia, a família do rapaz disse que ele não fez nenhum contato após o crime. Até ontem, ele não tinha advogado constituído nem a polícia havia sido procurada para negociar uma rendição.

Detalhes e crueldade. A informação de que o cartunista Glauco e seu filho Raoni estavam de joelhos quando foram baleados não é confirmada pela polícia. "Pelo que apuramos isso não ocorreu. Glauco levou até uma coronhada. Estava com uma lesão no rosto. Mas só o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) é que vai tirar todas as dúvidas", contou à reportagem um policial do Demacro.

Drogas. De acordo com a polícia, Nunes é um usuário de drogas e teria procurado a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, para tentar se livrar do vício em cocaína e em maconha. O estudante tem na ficha policial uma passagem por porte de entorpecentes.

Anteontem, o pai do acusado do duplo assassinato, o comerciante Carlos Gricchi Nunes, afirmou à polícia que seu filho precisa de tratamento especial.

Segundo a família do jovem, em 2007, ele começou a estudar Artes Visuais na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, mas decidiu trancar matrícula no curso superior.

Os pais de Nunes são separados e o rapaz vive com um avô no bairro nobre de Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Ele era amigo de Raoni desde a infância.

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