Werther Santana/AE
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Polícia identifica carro usado por suspeito de matar Glauco

Cerco aumenta, mas estudante segue foragido; cartunista e filho foram enterrados sob aplausos neste sábado

Marcelo Godoy e Júlia Baptista, O Estado de S. Paulo

13 Março 2010 | 18h45

A Policia Civil de São Paulo já identificou o dono do automóvel Gol que teria sido usado na fuga do principal suspeito de matar o cartunista Glauco Villas Boas, Carlos Eduardo Sunfeld Nunes, de 24 anos, na madrugada da sexta-feira, 12. Segundo informações preliminares da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o suspeito deve se apresentar à policia, em data ainda não definida, para prestar depoimento.

 

O cartunista, de 53 anos, e seu filho Raoni, de 25, foram enterrados às 10h30 deste sábado no Cemitério Parque Gethsêmani Anhanguera, em Osasco, Grande São Paulo. Participaram da cerimônia cerca de 300 pessoas - na maioria, familiares, amigos e seguidores da Igreja Céu de Maria, ligada ao Santo Daime, fundada pelo artista.

 

 

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Em caixões fechados - e cobertos com a bandeira da Igreja -, os corpos de Glauco e Raoni chegaram ao cemitério às 9h30. Já eram aguardados por dezenas de pessoas, algumas, dentro do cemitério, gritavam "assassino! facínora!", em referência ao estudante suspeito do crime.

 

Durante uma hora, a cerimônia foi conduzida por religiosos da Céu de Maria, trajados com camisas brancas - os homens, em grande parte, com calças também brancas com listras laterais verdes; as mulheres, de saias com detalhes em verde. Comovidos, os seguidores da Igreja entoaram dúzias de cânticos rimados, com melodias parecidas umas com as outras. "Não quero nem falar. Perdi dois grandes amigos", disse um dos religiosos, em lágrimas, batendo no peito em sinal de respeito.

 

Muitos cartunistas compareceram à cerimônia. "Existem algumas pessoas que são muito especiais. E Glauco era uma delas. Um iluminado, principalmente pelo trabalho que desenvolveu e fez com que o público passasse a ter outra visão do cartum. Foi responsável por uma reviravolta do humor brasileiro", disse o cartunista Orlando. "É um cara que ia ser um velhinho muito divertido, sem dúvida."

 

"É como John Lennon. Glauco era um gênio que cruzou com um doido e aconteceu isso", declarou o cartunista Spacca, comparando Glauco com o ex-beatle que foi assassinado em 8 de dezembro de 1980 quando retornava de um estúdio de gravação em Nova York (EUA). "Mas o importante é que ele era uma pessoa sempre disposta a ajudar os outros", disse. Caco Galhardo, outro cartunista que estava presente, visivelmente emocionado não quis falar sobre o amigo.

 

Entre as dezenas de coroas de flores estavam homenagens de outros cartunistas, como Maurício de Sousa, e dos profissionais do jornal Folha de S. Paulo, que publicava as tirinhas de Glauco. Representando o jornal, compareceu ao enterro o editor executivo da Folha, Sérgio Dávila.

 

BUSCA AO SUSPEITO

 

Segundo informações do delegado Arquimedes Cassão Veras, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Osasco, agentes de dez delegacias da região foram destacados para procurar o suspeito. Os policiais trabalhavam também com a hipótese de o rapaz ter se suicidado e, por isso, se concentravam em uma eventual localização de corpo com as descrições de Nunes.

 

Ainda segundo a polícia, a família do rapaz disse que ele não fez nenhum contato após o crime. Até ontem, ele não tinha advogado constituído nem a polícia havia sido procurada para negociar uma rendição.

 

O estudante tem uma passagem na polícia por porte de entorpecentes. Ontem, o pai dele, o comerciante Carlos Gricchi Nunes, afirmou à polícia que o rapaz precisa de tratamento. Segundo a família, em 2007, começou a cursar Artes Visuais na Faculdade de Belas Artes, mas decidiu trancar matrícula. Os pais de Nunes são separados e o rapaz vive com os avós, no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Era amigo de Raoni desde a infância.

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