Polícia ganhará estúdio high-tech de retrato falado

A partir de maio, peritos do DHPP vão ter programa utilizado no filme 'Avatar' para ajudar a esclarecer crimes e encontrar pessoas desaparecidas

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h04

Tecnologia de cinema para fazer retratos falados e envelhecer feições será a nova arma do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), de São Paulo, para esclarecer crimes e encontrar crianças desaparecidas há muito tempo. O novo estúdio de artes forenses da Polícia Civil, previsto para entrar em funcionamento em maio, terá equipamentos high-tech e até um programa de computador usado para fazer os personagens do filme Avatar.

"O que pretendemos é dar um 'boom' na investigação policial", afirma a diretora do DHPP, Elisabete Sato. "Os tempos modernos exigem essas mudanças e queremos oferecer o que há de melhor à população." Segundo ela, serão investidos cerca de R$ 150 mil no estúdio, com foco principalmente no envelhecimento da imagem de pessoas desaparecidas há tempo suficiente para que não sejam reconhecidas apenas por meio de fotos antigas, fornecidas por parentes.

Elizabete conta que a ideia é treinar policiais civis para trabalhar no novo laboratório e transformá-lo em parâmetro para o restante do Brasil.

Atualmente, o DHPP já tem um setor de retrato falado, comandado por Sidney Barbosa. Ele usa um banco de imagens com mais de 5 mil tipos de narizes, bocas, rostos e demais caracteres para a composição das faces de procurados e desaparecidos, que busca aqueles que são mais próximos da descrição feita pela testemunha e faz os ajustes necessários.

Lápis e talento. No início da carreira, há 25 anos, Barbosa usava como apoio na hora de produzir retratos falados basicamente lápis, borracha e o talento nato para o desenho de feições humanas. Ele conta que esse conhecimento ainda é fundamental, mas a tecnologia tem ajudado muito na hora de fazer imagens hiper-realísticas - retratos que mais parecem fotos, de tão perfeitos. Também ficou mais ágil. "Não tenho de desenhar e apagar até chegar ao retrato desejado."

Segundo o perito, não adianta ter apenas um software avançado sem um computador potente o suficiente para produzir imagens com boa qualidade e de forma rápida. O desenhista diz que terá as duas coisas no novo laboratório. "Quando a imagem é real, existe um maior interesse na divulgação." A intenção, no futuro, será exibir os retratos em 3D, em locais bastante movimentados e atrair a atenção da população.

Um dos programas do novo laboratório será o ZBrush, usado na produção de Avatar, do diretor canadense James Cameron, que surpreendeu pelo realismo de seus personagens. "É como modelar em cima da argila, no barro. Você consegue uma simetria perfeita, mexe de um lado e já faz de outro."

Mudança. O laboratório não deverá ser a única mudança no DHPP. Segundo a diretora, existe a intenção de mudar também de endereço até o fim do ano, deixando o velho prédio do Palácio da Polícia Civil, na Rua Brigadeiro Tobias, no centro. "Aqui, as condições não são apropriadas", diz, citando a falta de espaço para acomodar as três divisões instaladas ali (Homicídios, Antissequestros e Proteção à Pessoa).

Elisabete diz que já falou sobre o assunto com o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, e com o delegado-geral, Luiz Maurício Blazeck. "Estou vendo os prédios no patrimônio imobiliário do Estado, a localização. Já designei uma delegada para correr atrás disso. É importante e espero que, neste ano, consiga mais esse objetivo."

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