Polícia Federal vai indiciar sete por queda de três prédios no Rio

Nomes não foram revelados, mas um deles deve ser o do responsável pela reforma no 9º andar do Edifício Liberdade

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h02

Sete pessoas serão indiciadas pela Polícia Federal (PF) por homicídio culposo (sem intenção) pela morte de 22 pessoas, em decorrência do desabamento do Edifício Liberdade, no centro do Rio, em 25 de janeiro. A PF ainda não divulgou o nome dos indiciados, mas um deles deve ser Sérgio Alves, sócio da empresa Tecnologia Organizacional (TO), responsável pela reforma que estava sendo promovida no 9.º andar do prédio, quando ocorreu a ruína da construção.

O delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico, deve concluir o inquérito na próxima semana e encaminhá-lo ao Ministério Público Federal. "Um dos sete vai responder também por falsidade ideológica, mas todos serão indiciados por homicídio culposo", diz Scliar.

"Acredito na culpa consciente dessas pessoas. Elas sabiam que havia o risco (de desabamento), mas acreditavam que o acidente não ocorreria. Isso é diferente do dolo eventual, em que a pessoa sabe do risco e não se importa (se o acidente vai ocorrer ou não). Nesse caso, eles não queriam (o acidente) e acreditavam que não haveria desabamento, tanto que frequentavam o prédio e guardavam seu patrimônio lá, mas tinham consciência do risco."

Em abril, o síndico do Edifício Liberdade afirmou à polícia que, durante a reforma do 9.º andar, foram destruídas paredes de concreto armado responsáveis pela sustentação do prédio. Segundo a polícia, Paulo Renha, proprietário de salas em vários andares (inclusive no 9.º, alugado à TO), afirmou que certa vez planejou fazer uma reforma em banheiros do 17.º andar, mas foi orientado por um engenheiro a desistir da mudança, porque as paredes eram de concreto armado e ajudavam a sustentar o edifício.

Segundo o delegado Fábio Scliar, durante a reforma no 9.º andar, que tinha a mesma estrutura do 17.º, as paredes dos banheiros foram demolidas.

Defesa. Na mesma época, o advogado da TO, Jorge Willians, afirmou que também havia obras no 8.º e no 18.º andares, que não eram de responsabilidade da empresa. Segundo ele, elas ocorriam simultaneamente e também podem ter contribuído para o desabamento. Já o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ) afirma que toda a obra era irregular.

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