EDISON TEMOTEO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Força-tarefa prende 6 suspeitos pela chacina em Osasco e Barueri

5 PMs e 1 GCM foram detidos nesta quinta; outros 2 policiais foram presos em flagrante com armas e munição não autorizadas

Alexandre Hisayasu, Felipe Resk e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2015 | 08h24

Atualizada às 21h34

SÃO PAULO - Os cinco policiais militares e o guarda-civil metropolitano presos nesta quinta-feira, 8, acusados de participar da maior chacina da história de São Paulo, ocorrida em Osasco e em Barueri, em agosto, estão envolvidos em 23 assassinatos e 7 tentativas de homicídio, todos motivados por vingança, segundo o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes.

De acordo com as investigações da força-tarefa montada para apurar o crime, as mortes começaram em 8 de agosto, quando quatro pessoas foram assassinadas um dia depois da morte do policial militar Avenilson Pereira de Oliveira, em um posto de gasolina, em Osasco. No dia 12, o guarda-civil metropolitano Jeferson Rodrigues da Silva foi morto em um assalto, em Barueri. No dia seguinte, 19 pessoas morreram e outras 5 ficaram feridas em ataques ocorridos nas duas cidades em um intervalo de três horas.

A diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Elisabete Ferreira Sato, disse que laudos balísticos feitos pela perícia concluíram que as mesmas armas foram usadas em locais diferentes durante a chacina, o que indica que um mesmo grupo praticou os crimes. “A investigação toma um novo rumo a partir de agora. Eu acredito, sem determinar prazo, que mais policiais devem ser presos em breve”, afirmou.

O corregedor da PM, coronel Levi Félix, disse que os suspeitos tiveram “um comportamento abominável” e que ainda não é possível dizer quantos criminosos participaram da chacina. “São pessoas que conhecem como funciona o sistema (policial). Tanto que deixaram poucos rastros”, disse. Ele ressaltou que não há provas contundentes contra os suspeitos, mas indícios, contradições em depoimentos e ajuda de testemunhas que sustentam a investigação.

Mudança. O secretário Moraes informou que vai trocar o comando da PM de Osasco “em breve”, por causa do grande número de policiais envolvidos em assassinatos. Segundo ele, não há um grupo de extermínio na corporação, mas “existem pessoas que matam”.

Nesta quinta, a força-tarefa cumpriu 28 mandados de busca e apreensão em 36 lugares expedidos pela Justiça Criminal de Osasco e pela Justiça Militar. Ao todo, 96 viaturas e 457 policiais (entre civis e militares) participaram da operação.

Foram apreendidos roupas, armas e celulares – tudo encaminhado para perícia. Uma jaqueta usada por um criminoso que aparece em imagens de câmeras de segurança foi localizada pelos investigadores. “Há uma clara conexão entre as mortes do PM e do guarda-civil com os assassinatos”, afirmou Moraes.

O secretário disse esperar que, com as prisões, a população fique “mais à vontade” para ajudar a polícia. Além dos detidos nesta quinta, um outro PM – Fabrício Eleutério – está preso desde agosto por causa da chacina.

Outros casos. Além dos seis suspeitos, outros cinco PMs foram presos na operação em circunstâncias diferentes. Dois foram autuados em flagrante depois que os investigadores encontraram armas e munições irregulares em suas casas. Segundo a Corregedoria da PM, parte das munições pode ser igual às que foram usadas na chacina.

Outros três PMs foram presos por suspeita de participar da última chacina de Carapicuíba, em setembro, na qual morreram quatro jovens que trabalhavam em uma pizzaria. Os policiais, segundo a investigação, modificaram a cena do crime para atrapalhar a polícia. Para a Corregedoria, os rapazes foram mortos porque um deles roubou a bolsa da mulher de um policial, que já está preso.

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