Polícia faz busca em casas de músicos em Santa Maria

Investigadores buscam fotos de apresentações para provar que grupo usava pirotecnia antes do incêndio da Kiss

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2013 | 02h08

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dos cinco integrantes da banda Gurizada Fandangueira, em Santa Maria e Rosário do Sul, ontem. O material coletado, sobretudo imagens em papel ou copiadas de computadores, pode comprovar que a banda usava pirotecnia em seus shows. Segundo testemunhas, o incêndio na boate Kiss, no último dia 27, começou por causa de fagulhas de fogos de artifício usados pela banda. A tragédia matou 238 pessoas.

A investigação feita por um grupo de delegados da Santa Maria já interrogou cerca de cem testemunhas e tem outras 500 para ouvir nas próximas semanas. Ontem foram ouvidos seis bombeiros que participaram da operação de resgate no dia do incêndio. Outros seis prestarão depoimento nos próximos dias. Os proprietários da casa noturna, Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, estão presos e serão ouvidos novamente antes do fim do inquérito, previsto para o início de março.

A polícia considera que artefato usado pela banda provocou o fogo e que a fumaça provocada pela queima da espuma que revestia a casa noturna tornou-se a causa direta da maioria das mortes, por asfixia. Além disso, a lotação excessiva do local dificultou a fuga na hora do pânico.

Prisões. O juiz Ulysses Fonseca Louzada, da Comarca de Santa Maria, negou os pedidos de revogação da prisão temporária dos quatro envolvidos no caso. "Ainda há diligências a serem realizadas, tais como acareações, buscas, reconstituições dos fatos, análise de documentos e perícias", justificou Louzada.

Dois integrantes do Gurizada Fandangueira - o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Augusto Bonilha Leão - estão detidos, assim como Spohr e Hoffmann. Todos estão na Penitenciária Estadual de Santa Maria, em celas individuais.

Furto. A Polícia Civil prendeu ontem um homem que estaria vendendo objetos furtados no dia da tragédia. O suspeito, que não teve o nome divulgado, tem 22 anos e teria se passado por familiar de uma das vítimas, de quem teria roubado um celular, um relógio e R$ 50.

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