Polícia estoura laboratório do crack

Local perto de Jundiaí é o maior já encontrado no Estado; foram apreendidos 150 kg da droga, 700 kg de cocaína e 1t de insumos

MARCELO GODOY, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

29 Março 2012 | 03h10

Uma chácara em Jarinu, cidade próxima de Jundiaí, escondia o maior laboratório de crack até hoje localizado pela polícia para a produção da droga em São Paulo. Investigadores do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) apreenderam ontem cerca de 150 quilos de crack, 700 quilos de cocaína e mais de uma tonelada de lidocaína, cafeína, éter e outros insumos usados para o refino de drogas. Três acusados foram presos.

Até as 19h45 de ontem, a pesagem da droga ainda não havia terminado. Tudo estava em um porão cujo alçapão era aberto por meio de controle remoto. A chácara tinha uma casa principal, uma de caseiro e um depósito, onde ficava o alçapão. O lugar estava sendo vigiado pelos policiais desde segunda-feira.

Os policiais descobriram sua existência em meio a uma investigação que começou em dezembro. "Nós havíamos recebido uma denúncia sobre tráfico de drogas e distribuição de crack, mas não sabíamos o tamanho real da organização", afirmou o delegado Newton Fujita.

Os policiais descobriram que o bando mantinha sete entrepostos para a distribuição de drogas na capital - três na Vila Guilherme, na zona norte, e os outros quatro na zona leste, principalmente na região de Cangaíba. "A droga vinha do exterior e os traficantes abasteciam com cocaína e crack pontos de venda em todas as regiões da capital", afirmou o delegado Wagner Giudice, diretor do Denarc.

Armas. Na zona norte foram presos os acusados João Augusto Pena Junior, de 45 anos, e Edson Garbin, de 52. Na zona leste, os investigadores detiveram Haroldo de Souza Bezerra, de 32. Com os acusados os policiais apreenderam três fuzis AK-47, duas submetralhadoras, oito pistolas e munição de diversos calibres. Além disso, foram apreendidos dois Fox, um Voyage e uma Topic.

De acordo com a polícia, além da apreensão recorde de crack - a maior da história do Denarc -, outro fato importante é a mudança na forma de traficar crack. Antes, a transformação da cocaína em crack era sempre feita em pequenos laboratórios ou nas bocas de venda de entorpecente. Dessa vez, a transformação da cocaína em crack era feita em grande escala no laboratório. O lugar tinha batedeiras industriais e lâmpadas para a secagem rápida da droga. A polícia apura agora as ligações dos presos com outros traficantes que agem na Região Metropolitana e como o dinheiro da droga era lavado.

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