Polícia e promotores desmantelam quadrilha que roubava trens

Cerca de 40 pessoas foram presas. Grupo teria causado prejuízo de R$ 30 milhões à empresa América Latina Logística

Chico Siqueira, Especial para o Estado

06 Agosto 2014 | 17h41

ARAÇATUBA - Em uma grande operação denominada Ferrorama, a Polícia Militar e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de São José do Rio Preto, prenderam cerca de 40 pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha que teria causado prejuízo de mais de R$ 30 milhões à América Latina Logística (ALL).

Entre os presos estão donos de postos de combustíveis e fazendeiros, acusados de receptação dos combustíveis, além de 11 seguranças que teriam facilitado a ação da quadrilha, que era investigada havia mais de seis meses pelo Ministério Público.

Cerca de 250 PMs, além de cães do canil, do helicóptero Águia e de grupos de promotores do Gaeco, participaram da operação para cumprir 59 mandados de prisão temporária e 67 mandados de busca e apreensão em cidades das regiões de Catanduva, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. 

Só em Santa Adélia, na região de Catanduva, onde estaria o núcleo e os principais integrantes da quadrilha, 23 suspeitos foram detidos, levados ao Fórum e à Delegacia de Polícia da cidade para prestar depoimentos. 

Prática endêmica. De acordo com o promotor João Santaterra, do Gaeco de Rio Preto, as investigações surgiram em dezembro quando a promotoria criminal de Santa Adélia acionou o Gaeco para o caso. "A promotoria nos revelou uma prática endêmica de crimes ocorridos ao longo da linha férrea", disse o promotor à imprensa.

Segundo o promotor, a quadrilha cooptava moradores para atuar no furto de grãos, açúcar e, principalmente, combustíveis. Eles eram auxiliados pelos seguranças, que abriam os vagões ou fingiam não ver os furtos. Os produtos eram estocados por períodos curtos de tempo para serem entregues aos grupos responsáveis pela receptação. "Era uma quadrilha muito bem organizada, com várias células diferenciadas com seus cabeças que articulavam os furtadores", disse. 

A ALL informou que estava colaborando com as autoridades e que espera o fim das investigações para comentar o assunto. Segundo a empresa, o prejuízo causado pelos furtos chega a R$ 30 milhões contando o valor da carga furtada, os danos causados pelos atos de vandalismo, como depredação dos vagões e dos trilhos, que muitas vezes eram danificados para facilitar os furtos, e os atrasos nos envios das cargas.

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