Tasso Marcelo/AE
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Polícia do Rio terá a 1ª chefe mulher

Delegada Martha Rocha substituirá Allan Turnowski; denúncias contra chefe de delegacia especializada irritaram cúpula da Segurança

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2011 | 00h00

O chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, deixou o cargo ontem, após reunião com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. À noite, a delegada Martha Rocha foi anunciada no cargo e será a primeira mulher a chefiar a Polícia Civil.

Para Beltrame, a escolha de uma mulher é mais uma quebra de paradigma. "Ela tem uma história de 28 anos de polícia, praticamente em todas as áreas, e tem uma tarefa muito difícil, porque substituirá um grande policial e um grande chefe de Polícia Civil (Allan Turnowski). Isso aumenta o desafio dela, mas a doutora Martha está afinada com os nossos propósitos", disse o secretário. "Em todas as consultas feitas, o nome dela foi praticamente uma unanimidade."

A decisão ocorreu um dia depois das acusações de Turnowski contra o titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), Cláudio Ferraz, colaborador da Operação Guilhotina, da Polícia Federal. A ação prendeu o ex-subchefe de Polícia, Carlos Oliveira, homem de confiança de Turnowski. Além de fechar a Draco na noite de domingo com policiais armados, o último ato dele como chefe de Polícia Civil foi defender em entrevistas a exoneração de Ferraz e apresentar documentos sem perícia como prova de uma suposta extorsão.

Durante a apresentação da nova chefe, Beltrame atribuiu a saída de Turnowski a "alguns exageros em um conjunto de situações que aconteceram desde domingo". Ao ser questionado se o delegado Ferraz ainda contava com seu apoio, Beltrame foi enfático. "Todas as pessoas que trabalham comigo têm o meu apoio."

"Comum acordo". À tarde, por nota, o secretário havia destacado que a troca de comando ocorreu "de comum acordo, para preservar o funcionamento das instituições" e elogiou a gestão de Turnowski. Em seguida, o ex-chefe da Polícia Civil também divulgou um comunicado e informou à imprensa que a decisão foi tomada após uma "conversa aberta e longa com o secretário". "Tenho a certeza de que é a melhor decisão para o momento", escreveu. Em evento em São Paulo, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também agradeceu ao delegado Turnowski "pelos serviços prestados" e reafirmou o apoio a Beltrame. "Ele tem toda a minha confiança."

Nos bastidores, até aliados próximos consideraram desastrosa a decisão de Turnowski de fechar a Draco, um dos símbolos da Polícia Civil no combate às milícias. Algumas horas após a coletiva de segunda-feira convocada pelo então chefe de Polícia, o corregedor da Polícia Civil, Gilson Emiliano Soares, afirmou a Beltrame que não tinha elementos para levar as denúncias de Turnowski para frente.

A cúpula da Segurança Pública ainda considerou irresponsável a divulgação de documentos sem perícia nas assinaturas do delegado Ferraz e do inspetor Luiz Henrique Placidino. As entrevistas de Turnowski, ao vivo, no estúdio do jornal local da TV Globo e a entrevista coletiva na Corregedoria, defendendo a exoneração de Ferraz, irritaram o secretário Beltrame.

Ferraz foi escolhido para assumir a nova subsecretaria de Contrainteligência da Secretaria de Segurança Pública, cuja principal função é investigar as atividades criminosas dos maus policiais. A Draco também terá essa função. A delegacia não será mais subordinada à Polícia Civil, mas à Secretaria de Segurança.

Guilhotina. Na manhã de ontem, Turnowski estava convencido de que passou dos limites e, após longa conversa com o secretário, reconheceu que não havia mais como continuar na chefia. Além de não estar descartado o seu indiciamento no relatório final da Operação Guilhotina, ele dividiu a Polícia Civil ao contra-atacar Ferraz. O Ministério Público Estadual espera receber até amanhã o inquérito da PF sobre a Guilhotina para apresentar à Justiça a denúncia contra os 45 acusados no esquema de corrupção. / COLABOROU VITOR HUGO BRANDALISE

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