Polícia do Rio prende iraniano que oferecia 'disque-droga'

Hamid Albodelli foi pego na orla de Copacabana com 93 papelotes de cocaína e R$ 700; ele era investigado desde 2010

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

03 Março 2012 | 03h01

A Polícia Civil do Rio vai investigar as atividades no País do iraniano Hamid Albodelli, de 35 anos. Ele foi preso em flagrante por tráfico de drogas na orla de Copacabana, na zona sul, com 93 papelotes de cocaína e R$ 700, anteontem. De acordo com a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o estrangeiro tinha um serviço de "disque-droga" para entrega do entorpecente a domicílio.

A prisão do iraniano foi gravada em vídeo pelos policiais. A abordagem aconteceu na frente da Escola Municipal Doutor Cícero Penna, na Avenida Atlântica. Ele não reagiu, mas tentou convencer os agentes de que o entorpecente era para consumo próprio. No entanto, ao ser informado de que era investigado desde 2010, Albodelli admitiu que vendia drogas a usuários de classe média da zona sul.

Ele levou os agentes da DPCA até sua residência, na Lapa, região central. No interior do apartamento, foram encontrados mais 160 sacolés de cocaína, 317 gramas do entorpecente em pedra, além de R$ 2.300, US$ 70 e 50, um notebook.

De acordo com a delegada titular da DPCA, Bárbara Lomba, o iraniano disse que está há dez anos no País e que tem um filho brasileiro. "Ele foi reconhecido pelos nossos agentes que o investigaram na época em que estávamos na 15.ª DP da Gávea, em 2010. Na abordagem de ontem, os policiais descobriram 25 sacolés de cocaína nos bolsos dele. Na delegacia, ele tentou se livrar sem sucesso de mais 68 papelotes, que estavam escondidos na cueca", afirmou a delegada.

Em Brasília, a Embaixada iraniana confirmou que foi comunicada sobre a ocorrência. No Irã, o tráfico de drogas é punido com o enforcamento; no Brasil, a pena máxima é de 15 anos de reclusão. "É improvável que ele seja expulso. O Brasil é signatário de um tratado internacional que não permite a extradição para a nação de origem se a pena aplicada lá for mais rigorosa do que a punição prevista por lei aqui. O filho é garantia do direito de permanecer no País", explicou o advogado João Tancredo, presidente do Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos.

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