Polícia diz que suspeito de matar os irmãos confessou as mortes

No depoimento, ele afirmou que ouvia vozes, via bichos e matou os irmãos porque foi contrariado por eles

27 de setembro de 2007 | 17h16

O principal suspeito de ter assassinado os irmãos Josenildo e Francisco de Oliveira, na Serra da Cantareira, zona norte de São Paulo, confessou ter cometido os assassinatos, nesta quinta-feira. Segundo informações policiais, Ademir Oliveira do Rosário, que foi preso na noite de quarta-feira, disse que cometeu os crimes porque foi contrariado pelos garotos.     Celular de suspeito tem fotos dos irmãos antes do assassinato   As mesmas fontes policiais afirmaram que em depoimento ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o homem afirmou que ouvia vozes e tinha visões de bichos. O desentendimento com os garotos começou no momento em que eles afirmaram que não viam os bichos e nem escutavam tais vozes.   No depoimento, além de confessar o assassinato e violência sexual contra os irmãos, Rosário teria confessado ter cometido abusos sexuais contra 11 pessoas – a maioria adolescentes. Em um desses casos, ele afirmou ter amarrado quatro jovens, que presenciaram ele violentando um outro garoto. A polícia ainda está investigando a ligação dele com dois corpos e duas ossadas encontradas este ano na serra.   Mesmo antes da confissão oficial, a polícia já estava convencida de que Rosário era mesmo o responsável pelas mortes na Cantareira. A suspeita era reforçada por um forte indício: o celular de Rosário tem fotos das vítimas, tiradas momentos antes do crime. Segundo informações policiais, as imagens mostram um doos garotos amarrado e deitado no chão. Em outra imagem, o mais velho teria sido preso a uma árvore.   Ligação com outros crimes   Por enquanto, a execução dos irmãos é tratada como caso isolado. Moradores do Jardim Paraná, porém, não descartam a participação dele em outros crimes. Há dez anos, ele tem status de "lenda urbana" na região, assombrando o imaginário de crianças e pais. O caso mais antigo a ser investigado pela polícia agora é o da ossada de um homem achada em 22 de fevereiro na Avenida General Penha Brasil, próximo do número 2.600. Os investigadores nunca conseguiram identificar a vítima nem saber o que aconteceu.   Depois disso, em 20 de abril, a polícia foi chamada por testemunhas que viram um homem com um capote preto atirar um plástico em um lago e depois fugir. No local indicado, perto do número 3.600 da mesma avenida, a polícia encontrou um crânio e ossos de pernas que os peritos do Instituto Médico-Legal (IML) determinaram ser de um jovem com idade entre 12 e 16 anos. Até agora, a vítima não foi identificada.   Segundo informações policiais, Rosário confirmou em seu depoimento que costumava vagar pela mata, perto de um lago e ficar de campana, à procura de outras vítimas.   Ele foi encontrado, na noite de quarta-feira, pelos policiais na ala de desinternação progressiva do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha. Também confessou outros crimes sexuais.  Rosário teve a prisão preventiva decretada por 30 dias pelo assassinato dos irmãos.   'Lenda urbana' "Ele tem antecedente por homicídio (em 1991) e atentado violento ao pudor (em 1998)", afirmou a delegada Cintia Tucunduva, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo ela, o criminoso agia sozinho e intimidava as vítimas ao simular ter uma arma na cintura. "Ele saiu da cadeia na sexta-feira, conforme o estipulado (no regime desinternação progressiva). Na segunda-feira, retornou ao presídio." Durante o processo por homicídio, a Justiça considerou que Rosário oferecia risco à sociedade e, por isso, optou pela internação psiquiátrica.   Outros crimes sexuais   Na tarde de quarta-feira, o depoimento de uma mãe no 72º Distrito levantou mais suspeitas contra Rosário. Ela contou ao delegado José Bella que, em 25 de agosto, seus dois filhos adolescentes foram brincar na mata da Cantareira com três amigos. Os adolescentes foram amarrados em árvores e abusados sexualmente. Rosário já havia sido denunciado por outros três adolescentes que escaparam de um ataque no sábado.O caso de Rosário traz de volta a discussão sobre laudos psiquiátricos de acusados de crimes. O criminoso apelidado de Champinha, hoje com 20 anos, que em 2003 matou o casal Liana Friedenbach e Felipe Caffé, teve avaliações diferentes sobre a sanidade mental em dois laudos, do Hospital das Clínicas (que o julgou são) e do Instituto Médico-Legal (que o considera perigoso). Ele segue na Unidade Experimental de Saúde da Fundação Casa, na Vila Maria, zona norte, por determinação judicial. var keywords = "";

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