Polícia diz que sabe quem matou moradores de rua em Alagoas

Segundo diretor-geral, prisões vão começar após o período eleitoral; ele quer saber como relatório sobre crimes vazou

Ricardo Rodrigues / MACEIÓ, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 00h00

O diretor-geral da Polícia Civil de Alagoas, delegado Marcílio Barenco, disse ontem que já tem os nomes dos suspeitos que teriam matado até 30 moradores de rua do Estado, mas espera passar o período eleitoral para começar as prisões.

Barenco disse que são várias as possibilidades de autoria dos crimes. Ele admitiu que alguns podem ter sido cometidos por grupos de extermínio, mas diz que a maioria está associada ao tráfico de drogas, à prática de furtos, acerto de contas entre os moradores de rua e confusões com habitantes dos bairros em que eles dormem ou trabalham.

O delegado disse que a polícia entregou, na semana passada, um relatório sobre as mortes ao coordenador do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional da População em Situação de Rua, Ivair Augusto dos Santos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Ele diz que não sabe como as informações chegaram à imprensa ou à Igreja Católica, que divulgou nota pedindo providências sobre os crimes. Segundo o delegado, os nomes dos suspeitos estavam no relatório.

O promotor Alfredo Gaspar de Mendonça, do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), disse que o Ministério Público Estadual ainda não recebeu o documento. "Na nossa conta só estavam contabilizados 23 casos, mas sabíamos que o número de vítimas era muito maior."

Para Barenco, o poder público, principalmente a prefeitura de Maceió, precisa ser mais eficiente no atendimento social às pessoas que moram nas ruas. Mendonça concorda, mas também cobra a polícia.

"Nós temos consciência das deficiências da Polícia Civil, mas precisamos superar esses problemas e chegar aos autores desses e de outros crimes de homicídios registrados em Alagoas", disse o promotor. "Até quando Alagoas, um Estado tão bom, de um povo tão ordeiro, hospitaleiro e trabalhador, vai continuar liderando o ranking de homicídios do Brasil?"

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