Polícia diz que garotos mortos na Cantareira foram torturados

Na 2ª, jovens relataram que foram presos a árvores por um homem, mas escaparam; polícia tem retrato falado

Gilberto Amendola, do Jornal da Tarde,

25 de setembro de 2007 | 18h28

A polícia acredita que antes de morrer, os irmãos Josenildo José de Oliveira, de 13 anos, e Francisco de Oliveira Neto, de 15, foram torturados. Eles estavam desaparecidos desde o sábado e foram encontrados no final da manhã desta terça-feira, na Serra da Cantareira, na região do bairro Jardim Paraná, na zona norte da capital.  Segundo a polícia, os corpos dos garotos, que tinham saído de casa no sábado para colher frutas na mata, tinham marcas de tortura. No corpo do mais velho, há um ferimento que a polícia acredita ser de arma de fogo. De acordo com o delegado Cesar Camargo, da 4ª Seccional, a perícia vai apontar se os meninos sofreram violência sexual e a causa da morte.  No final da tarde, os policiais resgataram os corpos. Eles eram moradores do Jardim Paraná e estavam desaparecidos desde o sábado, 23. Os dois foram encontrados com perfurações de estiletes, segundo a polícia. A suspeita é de que um homem tenha cometido o crime. Na segunda-feira, 24, três jovens prestaram depoimento e contaram que, quando estavam na mata, foram presos a árvores por um homem, mas conseguiram fugir. A polícia já tem, inclusive, um retrato falado do suspeito. Na segunda, a mãe dos meninos, Rita de Cássia Alves de Oliveira, de 31 anos, contou que eles tinham saído de casa e prometeram voltar logo. "Estão sumidos até agora", disse, com o olhar perdido na mata. Segundo Rita de Cássia, Neto é o filho que mais freqüenta a mata perto de casa, onde lagos e árvores frutíferas servem de área de lazer para as crianças do bairro. O filho mais novo, chamado de Neném por familiares e amigos, entrou pela segunda vez nas trilhas no sábado com o irmão. O Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE) iniciou as buscas na manhã de domingo, 24 horas depois do desaparecimento dos garotos. Na segunda, seis homens vasculharam a área das 7 horas às 17 horas, com o apoio do helicóptero Águia da PM. "Fizemos o pente-fino e também nos dividimos por equipe", afirmou o sargento Almeida, do COE.  O COE aconselha os pais a proibirem as crianças de entrarem na mata fechada, com ou sem acompanhamento. Rita afirma só ter aprovado porque os garotos iriam apanhar frutas num local próximo e de acesso fácil.

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