Polícia divulga retrato falado de ladrões de quadros nos Jardins

Depois de falar em crime comum, agora delegado acredita que quadrilha era especializada em obras de arte

da Redação, estadao.com.br

12 Maio 2009 | 11h45

A polícia divulgou o retrato falado de três suspeitos de roubar uma casa nos Jardins e levar obras de arte. Os retratos foram divulgados na manhã desta terça-feira, 12, e, agora, a polícia acredita que uma quadrilha especializada tenha sido responsável pelo roubo das telas de Cândido Portinari, Tarsila do Amaral e Orlando Teruz, no domingo.

 

Retrato falado de três suspeitos de participar do roubo de quadros nos Jardins no domingo

 

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"Sem dúvida nenhuma, o alvo foram as obras de arte, os ladrões foram direto nesses quadros", disse o delegado titular da 1ª seccional da Polícia Civil, Dejar Gomes Neto, que preside as investigações. "Pela maneira como foram retirados da moldura, já é possível falar em quadrilha especializada."

 

O delegado descartou que as obras Cangaceiro e Retrato de Maria, de Cândido Portinari, Figura em Azul, de Tarsila do Amaral, e Crucificação de Jesus, de Orlando Teruz, tenham sido danificadas ao serem roubadas e que os ladrões estivessem em busca de joias e dinheiro, hipótese inicial divulgada no domingo, pela polícia. "Eles já sabiam e levaram o que estavam procurando", disse.

 

As obras, avaliadas em cerca de R$ 3,5 milhões, foram roubadas da casa de sua proprietária, Ilde Maksoud, de 80 anos, na manhã de domingo - para entrar na casa, os bandidos se disfarçaram de entregadores de flores e convenceram funcionários da residência que tinham encomenda especial para o Dia das Mães. Armados, os ladrões - cerca de 20, segundo a polícia - fizeram Ilde, a nora Maria Paula, e quatro funcionários da casa reféns por cerca de uma hora.

 

"A polícia esclareceu os casos do Masp e da Pinacoteca do Estado (que tiveram obras de arte roubadas em dezembro de 2007 e junho de 2008, respectivamente), e esse caso será esclarecido também", disse o delegado.

 

Além das telas, os ladrões roubaram do cofre da família valor ainda não especificado em joias e um "montante irrisório" em dólares e reais - cerca de R$ 2 mil, segundo Gomes Neto (extraoficialmente, fala-se em valor muito mais alto). Os bandidos ainda danificaram a base de uma escultura de Victor Brecheret, na tentativa de roubá-la.

 

Para a família de Ilde (ex-mulher de Henri Maksoud, proprietário do hotel que leva o nome da família), o crime foi encomendado. "Acho que tinham o objetivo de levar, especificamente, os quadros que levaram. Eles pensaram que havia na casa, além dos quadros, dinheiro e joias, mas quebraram a cara. Levaram valor irrisório", avaliou o artista plástico Cláudio Maksoud, de 53 anos, filho de Ilde.

 

"Os quadros estavam na família há 40 anos, frustrante saber que há um corruptor na sociedade, mandando um crime assim, com coragem de apontar uma metralhadora na cara de uma senhora de 80 anos", disse Henri Maksoud Neto, diretor do hotel da família. Segundo os familiares, a segurança na casa será reforçada.

 

(Com informações de Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo)

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