Polícia detém quinto ativista em inquérito dos black blocs

Professor de português e inglês é acusado de envolvimento em depredação de agência do Citibank na Avenida Rebouças

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

24 Julho 2014 | 13h36

Atualizada às 19h59

SÃO PAULO - A Justiça ordenou a prisão temporária, por cinco dias, do professor da rede estadual Jefte Rodrigues do Nascimento, de 30 anos, depois de pedido da Polícia Civil. A suspeita é que ele seja um black bloc. O professor foi detido em casa, na zona leste da capital, nesta quinta-feira, 24, às 5 horas.
O professor foi identificado por fotos quebrando a vidraça de um caixa eletrônico durante protesto no dia 19 de junho. O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Wagner Giudice, afirmou que ele responderá por associação criminosa, delito com pena prevista de até 8 anos de prisão.
Nascimento é professor de Inglês e Português em duas escolas da zona leste de São Paulo, segundo disse seu irmão, o assistente jurídico Jeziel Rodrigues, de 32 anos. Mora com os pais e é pai de uma menina. “Foi preso às 5h. Os policiais chegaram e o levaram”, disse o irmão. Ele nega que o rapaz atue com violência nos protestos em que participa, mas confirma que é uma pessoa de convicções e participa de manifestações. 
Em entrevista na sede do Deic, no Carandiru, zona norte, o delegado Giudice mostrou fotos que mostram o rapaz cobrindo o rosto e atirando pedras contra uma agência do Citibank. Mostrou também as roupas que ele usava no momento em que as imagens foram feitas. “Estamos verificando se existe alguma imagem da concessionária que seja compatível com ele”, disse o delegado. Referia-se à concessionária da Mercedes-Benz que teve os carros quebrados depois daquela manifestação. “Ele (Nascimento) viu as imagens e confirmou a identidade”, completou o delegado.
Acusação. Giudice afirma que o professor será acusado por associação criminosa “porque ele se une a outras pessoas para o cometimento de crimes”, Sem essa acusação, seu único delito seria o dano.
A prova da organização criminosa, segundo o delegado, está na página do Facebook do professor. Essa contém dezenas de frases e imagens que remetem às manifestações de rua – e também textos pedindo a libertação de manifestantes presos.
Mas não há, em busca feita até outubro do ano passado, planejamento de crimes.
Giudice, no entanto, afirmou que o rapaz poderia ser enquadrado em associação criminosa porque estava em todos os atos que tiveram vandalismo. “É que nem ladrão de banco. Como a gente investiga? Eles se organizam e roubam um banco. Aqui, eles se organizam e quebram”, argumentou.
O defensor público Bruno Shimizu afirma que, em tese, tal crime só existe se há prova de que a associação foi feita para cometer um crime. “A gente está caminhando para um verdadeiro estado de exceção”, disse.Os advogados ativistas Brunno Tardelli e André Zanardo, que defendem Nascimento, disseram que pedirão a revogação da prisão temporária. 

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