Polícia descobre máfia libanesa de ecstasy nos Jardins

Quadrilha era tão organizada em São Paulo que chegou a realizar o resgate de um membro em hospital

Fabiana Marchezi, do estadao.com.br,

05 de setembro de 2007 | 16h56

Dois libaneses foram presos em flagrante acusados de serem chefes do tráfico internacional de drogas sintéticas no Brasil, na noite de terça-feira, 4. Com a dupla, a polícia apreendeu 4.300 comprimidos de ecstasy. De acordo com o Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc), Najib Ali Hendous, de 33 anos, que era morador de Assunção, no Paraguai, e o comerciante Feiz Moraes Saleh, de 34, foram presos no em um prédio n Alameda Jaú, nos Jardins, bairro nobre da capital paulista , foram detidos durante uma operação iniciada na noite de terça-feira, 4, e concluída na manhã desta quarta-feira, 5.  No esquema montado pelos libaneses, a cocaína era levada para a Europa e grandes lotes de ecstasy eram trazidos para o País, por meio do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Grande São Paulo. A quadrilha era tão organizada que arquitetou o resgate de sua principal gerente, a universitária e professora Andressa Oste Pettena Facca, de 30 anos, a Pit, do Hospital do Mandaqui, zona norte. Ela cumpria pena de 12 anos por tráfico de drogas, na Penitenciária Feminina, e foi resgatada por homens armados na saída do hospital, onde era atendida por ter sofrido uma queda, em 16 de junho desse ano. Andressa foi a primeira a ser presa pelos policiais da Divisão de Inteligência e Apoio Policial (Diap), do Denarc, na noite de segunda-feira, 3, no Shopping Center Tatuapé, zona leste. Moradora em flat da avenida Ibirapuera, Pit usava documento falso em nome de Rafaela Vieira da Cruz. Observada de perto pelos investigadores da equipe do delegado Carlos Battista, Pit se encontrou com os libaneses na praça de alimentação do shopping, na noite de segunda-feira, para discutir a distribuição da droga. Depois, ela se separou dos acusados, entrou em lojas e se encontrou com outra mulher, Juciara Alves de Souza, de 39, a Carioca. Ainda segundo o Denarc, ao ser presa, a professora carregava 13 comprimidos de ecstasy no porta óculos, que serviriam de amostra para clientes. Juciara foi detida no dia seguinte, terça, na praça de alimentação do shopping, onde se encontraria com Pit. Ela levava em uma sacola o lote de ecstasy para ser entregue a Pit e, depois, em encontro marcado na rua Pamplona, a droga seria repassada aos libaneses. Segundo o delegado Rubens Eduardo Barazal Teixeira, divisionário da Diap, os libaneses chefiavam esquema de tráfico internacional, trazendo ao Brasil cocaína de países da América do Sul para que a droga fosse levada à Europa por "mulas", pessoas contratadas para o transporte do entorpecente. "Os brasileiros levavam cocaína para fora e mulas da Europa traziam ecstasy para São Paulo", disse Barazal. Segundo as investigações, dois franceses presos pela Polícia Federal, em 15 de agosto, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, com 84 mil comprimidos, eram mulas dos libaneses. O diretor do Denarc, Everardo Tanganelli Júnior, disse que a máfia era investigada havia dois meses. "Nós acompanhamos a movimentação dos envolvidos para pegar, principalmente, os chefes do tráfico de drogas", disse Tanganelli. "Sabemos que essa máfia era responsável pela distribuição de milhares de comprimidos de ecstasy no Brasil", afirmou.

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