Polícia descarta ligação de atirador com grupos extremistas

Investigadores dizem que relatos em diário são fantasiosos, mas delegacia rastreia com quem ele se comunicava na internet

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

O atirador Wellington Menezes de Oliveira será apontado como único responsável pelos 12 homicídios e ao menos 12 tentativas de assassinato na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, ocorridos quinta-feira passada. Foi noticiada a possibilidade de Wellington ter tido ajuda de outras pessoas no massacre, mas a polícia descartou essa hipótese.

Os policiais encontraram manuscritos de Wellington na casa em que ele morava, em Sepetiba, também na zona oeste. Após a análise do material e a comparação com depoimentos de parentes e conhecidos do assassino, os investigadores concluíram que os encontros narrados em uma espécie de diário são fantasiosos. Wellington escreveu que encontrou Abdul e Phillip e que eles o receberam em um grupo. Em outra folha, diz que brigou com Abdul e fala sobre planos para um atentado na Malásia.

Os investigadores ouvidos pelo Estado foram enfáticos em afirmar que o diário não será alvo de investigação, pois nada aponta que Wellington estaria ligado a algum tipo de grupo religioso ou político extremista.

As atividades do atirador na internet são investigadas pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática e podem virar inquérito, caso fique comprovado que alguém ajudou ou estimulou Wellington a cometer a matança na escola.

A Divisão de Homicídios está em fase de conclusão do inquérito. Depoimentos, perícia, análise de imagens e o laudo de um psicólogo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli apontam que a chacina foi planejada por Wellington, que era esquizofrênico e se matou na escola.

A investigação sobre a origem das armas usadas no massacre - um revólver calibre 32 e um calibre 38 - foi encaminhada à Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (Drae). Uma das tarefas é identificar um homem chamado Robson, que teria vendido uma das armas a intermediários, presos na sexta-feira. De acordo com as primeiras investigações, logo após a venda das armas, Robson foi sequestrado por milicianos e está desaparecido.

Um suposto treinamento militar de Wellington para cometer os crimes também está praticamente descartado. Após análise das imagens e da forma como recarregava as armas, os peritos também descartaram que Wellington tenha tido aulas de tiro. Uma troca de e-mails indica que ele pesquisou preço de aulas de tiro, mas desistiu quando teve de mostrar documentos.

Em 30 dias, a Divisão de Homicídios deve receber laudo do Instituto de Criminalística que apontará que o massacre foi decorrente da esquizofrenia do atirador. Para a polícia, o bullying contra Wellington no colégio contribuiu para que ele escolhesse sua antiga escola como alvo.

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