Polícia desbarata nova versão da 'Máfia dos Fiscais', no Brás

Operação Rapa, da Polícia Civil, já prendeu 11 pessoas que achacavam camelôs sem autorização para trabalhar

da Redação, estadao.com.br

11 de julho de 2008 | 11h22

São Paulo é novamente palco para a já conhecida máfia dos fiscais da administração municipal. A Polícia Civil de São Paulo realiza nesta sexta-feira, 11, a Operação Rapa, com o objetivo de prender 13 pessoas que integravam duas quadrilhas que extorquiam dinheiro de vendedores ambulantes irregulares na região do Brás, popular centro de vendas de roupas na zona leste da capital. Até o meio-dia, 11 pessoas já tinham sido detidas. As prisões estão acontecendo no perímetro de atuação da Subprefeitura da Mooca, que é a responsável pela fiscalização do comércio de rua daquela região.   Veja também:  Funcionários de Subprefeitura lideravam 'máfia de fiscais' Kassab manda afastar todos envolvidos na 'máfia dos fiscais' Blitz contra pirataria tem 5,5 milhões de produtos apreendidos   A operação foi desencadeada após cinco meses de investigações da Unidade de Inteligência Policial (UIP), vinculada ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), e do Ministério Público Estadual (MPE). Tudo começou em fevereiro, quando dois ambulantes da região do Brás procuraram o Ministério Público, com o objetivo de denunciar as extorsões. Segundo o MP, cada um dos 7 mil marreteiros do Brás pagam aos fiscais quantias que vão até R$ 20, por semana.   Em nota, a Secretaria das Subprefeituras afirmou que não foi notificada sobre denúncia envolvendo funcionários da Subprefeitura da Mooca. No documento, a secretaria afirma que está "buscando as informações para tomar as providências necessárias". O despacho também diz que "como tem sido hábito desde o primeiro dia desta gestão, qualquer denúncia será investigada com rigor para que os fatos sejam esclarecidos, e, se constatadas irregularidades, sejam tomadas as medidas cabíveis".   Segundo as primeiras informações, grampos feitos com a autorização da Justiça mostram como as duas quadrilhas agiam para intimidar e extorquir dinheiro dos ambulantes que não possuem o Termo de Permissão de Uso (TPU). Muitos camelôs que acabavam pagando propinas para os integrantes das quadrilhas estão reunidos, desde o início da manhã, no Largo da Concórdia. A região era a vitrine política da gestão do prefeito Gilberto Kassab, que conseguiu erradicar o comércio ambulante no largo.   Máfia dos Fiscais   A operação acontece oito anos depois de uma máfia composta por fiscais da prefeitura de São Paulo ter sido escancarada, no escândalo de arrecadação de propina que ficou conhecido como 'Máfia dos Fiscais' e marcou a gestão de Celso Pitta na Prefeitura de São Paulo. Em abril deste ano, o advogado e ex-vereador José Izar, um dos expoentes da chamada Máfia dos Fiscais, foi condenado a oito anos de prisão por concussão (extorsão praticada por funcionário público).   As investigações começaram em dezembro de 1998, com a prisão do engenheiro Marco Antônio Zeppini, fiscal da Administração Regional de Pinheiros, que tentou extorquir dinheiro da dona de uma academia. Zeppini foi condenado a cinco anos de prisão e já cumpriu a pena. Foram denunciadas mais de 600 pessoas nos vários processos da máfia, superando números da Operação Mãos Limpas, da Itália.   Cerca de 1,5 mil testemunhas foram ouvidas, e outros 30 processos seguem em andamento, envolvendo quase todas as administrações regionais da época. A Máfia dos Fiscais, segundo o Ministério Público, teria arrecadado R$ 436 milhões de comerciantes e ambulantes paulistanos. Em 1998, Viscome e José Izar choraram, em depoimento na Câmara e na polícia.   (Com informações de Bruno Tavares, Rodrigo Brancatelli e Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo)

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