Polícia de Jundiaí apura se sangue foi posto em casa

Perito do caso contraria que líquido possa ter jorrado do chão, com base no sentido das marcas

Tatiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 19h28

A Polícia Civil de Jundiaí, na Grande São Paulo, que investiga o caso de manchas de sangue humano que teriam, segundo casal de moradores do Jardim Bizarro, saído do piso da residência, trabalha com a hipótese de o líquido ter sido jogado por alguém no chão da casa. Nesta sexta-feira, 20, o delegado responsável pelo caso e titular do 6º Distrito Policial, Marco Antônio Ferreira Lopes, pediu exames tipológicos do sangue coletado na residência no último domingo, quando o fenômeno ocorreu pela primeira vez.   O delegado também solicitou a tipologia do sangue do casal de aposentados proprietários da casa e da filha do casal. "Ainda não há novidades no caso. Mas não trabalho com a hipótese do sangue brotar do chão, porque não lido com paranormalidade", disse. O perito Wilson Antônio Pereira, do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil disse que vai mandar uma amostra de sangue coletado na casa para outro IC. "Não se trata da tipologia de um sangue normal, mas de uma mancha de sangue seco, então devo enviar para Campinas ou São Paulo porque não fazemos esse exame aqui", informou.   As amostras de sangue dos moradores e da filha do casal deverão ser coletadas em Jundiaí. O proprietário da casa, um funcionário público aposentado de 71 anos que não quis ter seu nome divulgado, disse que nem ele nem sua mulher, de 65 anos, estão preocupados. "Não aconteceu de novo depois de segunda-feira. Agora, é o trabalho da polícia que conta", afirmou. O aposentado não descarta a possibilidade de o sangue ter sido "colocado" no local. "Não dá para duvidar de nada. Tem muita maldade nesse mundo", afirmou. Ele mora na residência localizada na rua Antonio Bizarro com a mulher há 44 anos.   O perito Wilson Pereira informou que o material coletado pela perícia mostra apenas manchas sangue no chão e contraria a possibilidade que o sangue tenha jorrado do piso. "Há marcas de sangue a cerca de dez centímetros num frasco de desinfetante, mas o sentido da amostra do respingo era de cima para baixo, não de baixo para cima", explicou.   Assim que percebeu o fenômeno, o casal pediu a ajuda de um pároco local, que orientou os aposentados a registrarem um Boletim de Ocorrência. Católicos, os donos da casa reuniram amigos e vizinhos para rezar na segunda-feira. "Isso é um sinal. Ou de alguém que quer algum mal pra gente, ou de alguém que está precisando de ajuda", afirmou o dono da casa na última terça-feira.   De acordo com moradores do bairro, uma das possibilidades cogitadas para explicar o sangue humano no piso da casa do Jardim Bizarro é um "pedido de ajuda" de um rapaz assassinado no bairro há aproximadamente dois meses. "Não sei bem o que dizer sobre isso. A gente conhecia o rapaz, mas não tinha amizade", afirmou o proprietário da casa.   A polícia descarta qualquer hipótese de um fenômeno espiritual ou paranormal. Ferreira Lopes já ouviu o casal oficialmente e aguarda o resultado da tipologia sanguínea dos donos da residência, filha e da amostra de sangue coletada no domingo. Na última terça-feira, o delegado afirmou que arquivaria o caso "por falta de interesse policial" e disse que a polícia trabalhava com a hipótese de o líquido fosse tinta, antes mesmo de o laudo da perícia ser concluído. Na quarta-feira à tarde, o delegado seccional, José Antônio dos Santos, pediu a reabertura do caso após receber o resultado do exame pericial.

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