Polícia de AL manda delegados para prender pai de Eloá

Everaldo dos Santos, que vivia em Santo André com nome falso, é acusado de participar de assassinato

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2008 | 19h00

A Polícia Civil de Alagoas enviou nesta quarta-feira, 22, para São Paulo dois delegados para acompanhar o trabalho da polícia paulista na tentativa de localizar e prender o ex-cabo da Polícia Militar alagoana, Everaldo Pereira dos Santos, pai da adolescente Eloá Cristina Pimentel, morta durante seqüestro na cidade de Santo André, no ABC. O delegado geral adjunto José Edson de Freitas Júnior e a delegada Luci Mônica, diretora de Informações e Estatísticas (Deinfo) viajaram à tarde para São Paulo. Eles levaram uma vasta documentação sobre o ex-militar, que é acusado de participação do assassinato do delegado Ricardo Lessa e de seu motorista Antenor Carlota da Silva.   Veja também: Pai de Eloá é acusado de pelo menos quatro homicídios Vizinhos de Eloá relatam à polícia tiro antes da invasão Nayara recebe alta e presta depoimento no próprio hospital Advogado de Nayara vai pedir indenização de R$ 2 milhões Depoimento de Nayara após sair do apartamento Lindemberg sai do isolamento em Tremembé nesta quarta-feira Lindemberg diz que só atirou em Eloá após invasão da polícia PMs não são unânimes sobre tiro antes de invasão no caso Eloá Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá       O crime ocorreu no dia 9 de outubro de 1991, no bairro de Bebedouro, em Maceió. Na época, o delegado Ricardo, que é irmão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), investigava alguns crimes atribuídos à gangue fardada, organização criminosa composta por militares e comandada pelo ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante, que está preso no presídio militar do Rio de Janeiro. "O ex-cabo Everaldo é apontado como um dos principais integrantes da gangue fardada. Por isso, a prisão dele é importante, porque ele pode ajudar a desvendar vários crimes atribuídos a essa organização criminosa desbaratada em meados da década de 90", comentou o delegado José Edson.   Segundo ele, familiares de Everaldo já entraram em contado com a Polícia Civil de Alagoas informando que o ex-militar estaria disposto a se entregar, mas precisaria se cercar de algumas garantias. "Vamos a São Paulo para assumir esse compromisso, de velar pela integridade física do ex-militar, caso ele se entregue. Além disso, vamos tentar visitar o apartamento onde Eloá foi mantida refém e depois foi morta", adiantou o delegado. A visita é considerada importante no sentido de que se recolham informações que possam levar a polícia à localização do pai da adolescente que utilizava o nome falso de Aldo José da Silva durante o período em que esteve foragido em São Paulo.   Na terça-feira, o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Marcílio Barenco, confirmou que Everaldo Pereira dos Santos é mesmo o pai da adolescente Eloá, que nasceu em Maceió e deixou a cidade com apenas dois anos de idade, em 2005. "As imagens feitas em Santo André, durante o seqüestro de sua filha, e a fotografia que a PM tem em seus arquivos mostram que se trata da mesma pessoa. Também temos a confirmação por parte de parentes do próprio foragido e o registro de nascimento de Eloá, onde consta como sendo seu pai Everaldo Pereira dos Santos", destacou Barenco.   Como usou documento falso ao prestar depoimento à Polícia Civil de São Paulo, o ex-cabo Everaldo deve responder também pelo crime de falsidade ideológica. Em Alagoas, o pai de Eloá responde pela participação do assassinato de Ricardo Lessa e outros crimes atribuídos à gangue fardada. Segundo o juiz Geraldo Amorim, titular da 9ª Vara Especial em julho deste ano, foi reeditado um mandado de prisão contra Everaldo Pereira dos Santos, com relação ao assassinato do delegado Ricardo Lessa e seu motorista.   Em entrevista à imprensa paulista, Everaldo disse que era segurança de Ricardo Lessa, mas foi afastado desse trabalho pouco tempo antes da morte do delegado, que era chefe do então Departamento Central de Polícia da Capital (Decepoc). O pai de Eloá negou qualquer participação no crime e disse que não fugiu de Alagoas, fugiu da polícia, com medo de morrer, já era considerado uma espécie de arquivo vivo. Como fugiu, Everado foi expulso da PM alagoana por deserção.   O promotor de Justiça Luiz Vasconcelos, que atua na 9ª Varas Criminal e que atuou nos processos da gangue fardada, disse que não tem dúvida da participação do ex-cabo Everaldo na organização criminosa comandada pelo ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante. "O ex-cabo Everaldo pode até negar, mas são muitos os indícios que apontam na direção dele como integrante da gangue fardada, resta apenas aprofundar as investigações para saber quais os crimes que teve a participação direta dele", concluiu Vasconcelos.

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