Polícia conclui depoimentos no caso dos mortos pela Rota

Delegado ouviu dono da chácara onde ocorria tribunal do crime, 20 policiais que participaram da ação e homens presos na operação

Ricardo Brandt,

13 Setembro 2012 | 18h39

CAMPINAS - A Polícia Civil concluiu nesta quinta-feira, 13 os depoimentos do inquérito que vai apontar se foi legítima a operação dos policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na tarde de terça-feira, em uma chácara em Várzea Paulista, região de Jundiaí, que terminou com nove mortos e cinco detidos. Os envolvidos são acusados de pertencer ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e estariam reunidos para julgar um homem acusado de estuprar uma menina de 12 anos, quando teriam reagido ao cerco.

O delegado Marcel Fehr, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, ouviu pela manhã o dono da chácara alugada pelos criminosos para a realização do "tribunal do crime", que absolveu o acusado Maciel Santana da Silva, de 21 anos. Ele, porém, acabou morto na ação de abordagem dos policiais. No boletim de ocorrência foi registrado que Silva reagiu. A família nega sua relação com o crime, diz que ele não tinha arma e que sofria de problemas mentais.

Além de Nechita, foram ouvidos no inquérito cerca de 20 policiais e outras sete pessoas - os cinco criminosos presos e a família da menina que teria sido estuprada. O delegado seccional de Jundiaí, Ítalo Miranda Júnior, afirmou que com esse último depoimento, a polícia vai agora esperar a conclusão dos laudos periciais para entregar o relatório do inquérito ao Ministério Público.

Segundo o delegado, os depoimentos são importantes, mas só as conclusões do Instituto de Criminalísticas e do Instituto Médio Legal poderão apontar se houve algum excesso por parte dos policiais da Rota, se os tiros que mataram o "julgado" partiram das armas dos policiais e se houve de fato resistência dos criminosos.

Estão sendo feitos exames necroscópicos nos corpos para saber a trajetória das balas e a distância em que os tiros foram disparados, exames residuográficos para verificar se houve disparos por parte dos criminosos e exames de balística para saber de quais armas partiram os disparos. "Dentro de 30 dias todos esses exames devem estar concluídos e aí poderemos concluir o inquérito", afirmou o delegado seccional.

Duas promotoras foram designadas pela Procuradoria-Geral de Justiça do Estado para o caso. Patrícia Tieme Momma e Regina Gomes Cavallini vão acompanhar as investigações da Polícia Civil.

Participaram da ação cerca de 40 policiais da Rota e nenhum ficou ferido. A ação foi classificada como legítima pelo comandante-geral, coronel Roberval Ferreira França.

Ação. A operação foi desencadeada após o serviço de inteligência da PM ter recebido a informação de que membros do PCC iam se reunir em uma chácara para o planejamento de uma ação. Era um "tribunal do crime", no qual um dos supostos integrantes da facção - irmão da menina -, queria que fosse julgado o suposto estuprador.

A Rota cercou a chácara e aguardou até o momento ideal. Três carros deixaram o local, cada um seguindo em uma direção. Os veículos foram seguidos por cerca de um quilômetro, até que houve a abordagem a cada veículo. Dois suspeitos do primeiro carro foram mortos e outro preso.

Na abordagem a outro carro, a ação também acabou em tiroteio, que deixou dois mortos e dois presos. No terceiro, não houve resistência.

Enquanto isso, os policiais invadiram a chácara na Rua Cambará e mais cinco acusados foram mortos em uma troca de tiros, segundo os policiais.

Com o grupo, a Rota informou que apreendeu duas espingardas de calibre 12, uma submetralhadora, sete pistolas, quatro revólveres, um colete à prova de balas, TNT, cordel detonante e cinco carros, um deles com explosivos que seriam desativados pelo esquadrão antibombas.

Depoimento. No depoimento de ontem, Benedito Aparecido Nechita, de 57 anos, o dono da chácara, confirmou o que havia dito para jornalistas na quarta-feira, 12. Segundo ele, quatro homens e uma mulher o procuraram na noite anterior a operação pedindo para alugar a chácara para passarem um dia no local.

Nechita, que é candidato a vereador em Várzea, disse que cobrou R$ 200 e que o grupo insistiu para que ele fosse até o local na noite anterior para abrir a chácara. Segundo ele, era a segunda vez que ele era procurado pelas mesmas pessoas.

Mais conteúdo sobre:
mortos pela rota

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.