Polícia Civil investiga envolvimento de PMs em chacina de Campinas

Segundo delegado, uma das quatro vítimas teria se envolvido em tentativa de roubo contra policial

Tatiana Fávaro, de O Estado de S. Paulo

18 de maio de 2010 | 13h10

CAMPINAS - A Polícia Civil trabalha com a hipótese de vingança e investiga o suposto envolvimento de policiais militares no crime em uma chacina em Campinas. Quatro pessoas da mesma família foram mortas a tiros no fim da tarde de segunda-feira, no Jardim Novo Maracanã, periferia da cidade. Foi a primeira chacina deste ano.

 

O porteiro Isaías Anacleto Ribeiro, de 43 anos, e seu filho, o cabeleireiro Willian Camargo Ribeiro, de 20 anos, estavam em frente de casa quando um Gol branco parou no local, por volta das 17 horas desta segunda. De acordo com relatos de testemunhas, três homens encapuzados saíram do carro e atiraram contra os dois homens. A Polícia Civil informou que Isaías foi atingido com seis tiros e Willian, com dez. Os homens amputaram e levaram embora uma das mãos do cabelereiro.

 

Segundo relato de moradores do local, os homens mataram pai e filho e depois entraram na casa onde atiraram contra a cabeleireira Silvana Camargo Ribeiro, de 43 anos, e a aposentada Lídia Silva Ribeiro, de 82 anos. Uma das mulheres foi baleada enquanto estava na garagem e a outra, na casa dos fundos. Ambas foram socorridas ao pronto-socorro do bairro Ouro Verde, mas morreram no local, segundo informou a PM.

 

O delegado Rodrigo Otávio Aydar Monteiro, do setor de Homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas, disse que Willian teria se envolvido tempos atrás em uma tentativa de roubo contra um policial militar à paisana e, durante troca de tiros, o cabeleireiro, o policial e sua noiva ficaram feridos. "Testemunhas dizem que o PM e sua noiva ficaram paraplégicos. Essa é uma das hipóteses, mas há outras e vamos investigar", informou Monteiro.

 

O tenente Dario Birochi Veiga, do 47º Batalhão da Polícia Militar em Campinas, disse que a PM recebeu apenas a informação de que uma das vítimas da chacina tinha antecedentes criminais. "Mas até o momento não temos nada que aponte para a participação de policiais no crime desta segunda-feira", afirmou o tenente.

 

A Polícia Civil vai ouvir ao menos seis testemunhas, entre moradores do bairro e parentes das vítimas. O delegado disse desconhecer informação preliminar de que havia uma criança na casa, na hora do crime.

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