Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Polícia Civil faz operação para combater o tráfico de drogas na Cracolândia, centro de SP

Ação mira 'pequenos traficantes' e termina com a prisão de dois homens e uma mulher; era previsto cumprimento de 12 mandados

Ana Paula Niederauer e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2018 | 08h46
Atualizado 28 de novembro de 2018 | 17h16

SÃO PAULO - Uma operação de combate ao tráfico de drogas na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, terminou com a prisão de dois homens e uma mulher na manhã desta quarta-feira, 28. Com dez cães farejadores e 300 agentes de segurança envolvidos, entre policiais civis, militares e guardas municipais, a ação foi coordenada pelo Departamento de Narcóticos (Denarc) e  durou cerca de 2 horas. Ao contrário de ocasiões anteriores, não houve registro de tumultos.

Inicialmente, estava previsto o cumprimento de 12 mandados de prisão temporária, mas só dois suspeitos foram pegos. Uma delas era Larissa Evelyn Chaves Ferreira, de 22 anos, acusada de abastecer o "fluxo", como é chamada a concentração de usuários de droga na região. 

Larissa teria sido reconhecida por dois soldados da PM, que estavam com as fotos de todos procurados. "Ela tentou se disfarçar, levantou o capuz, mas os policiais foram mais atentos", diz o tenente-coronel Miguel Elias Daffara, comandante do 13.º Batalhão da Polícia Militar (BPM/M), responsável pela área da Cracolândia.

Entre os procurados, Clecio Cezario Chagas, de 32 anos, foi preso em uma das pensões. Ele também acabou autuado em flagrante por estar com entorpecentes. A operação mirou "pequenos traficantes": pessoas  flagradas vendendo droga por câmeras de segurança que monitoram a Cracolândia. 

Já o último preso, Maycon Douglas Alves Freire, de 21 anos, não constava da lista de mandados, mas foi detido em flagrante  por receptação qualificada e corrupção ativa. Segundo os policiais, ele  estaria com celulares furtados e teria tentado subornar guardas civis para evitar a prisão.  "Ofereceu dinheiro em espécie: R$ 900", diz o comandante da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Carlos Alexandre Braga.

Entretanto, dez traficantes, incluindo ao menos cinco mulheres, não foram localizados pelos agentes de segurança. "O fluxo da Cracolândia vai tendo uma alternância dos frequentadores e das pessoas que vendem. Eventualmente, uma parcela retorna. Fica um tempo fora e depois volta para lá", diz o delegado Wagner Carrasco, titular da 3.ª Dise do Denarc, que coordenou a ação. "Com o mandado de prisão em mãos, é possível prendê-los em outros locais."

Na operação, a Polícia Civil cumpriu, ainda, sete mandados de busca e apreensão em hotéis e pensões da Cracolândia. Segundo as investigações, os locais seriam usados para armazenar droga. Foram encontrados 12 tijolos de maconha (cerca de 7 quilos), além de alguns pinos de cocaína e pedras de crack. Os policiais também apreenderam equipamentos como balança de precisão, celulares e rádios.  

Operação. Por volta das 6h15, policiais civis do Denarc, PMs e GCMs montaram um cerco no "quadrilátero da droga". Coube à PM avisar aos usuários, concentrados na Rua Helvétia, que haveria uma operação nos imóveis, mas eles não estariam entre os  alvos. O objetivo era evitar   reações semelhantes a de ações anteriores, quando já foi registrado confronto e até uma série de saques a comércios da região. 

A ação foi batizada de Campos Elísios 2, em referência à megaoperação de maio de 2017, quando foram desmontadas as barracas de droga no "fluxo".  "O mais importante era a segurança das pessoas", afirma Daffara. Além do batalhão de área, também foram mobilizados homens da Cavalaria e do policiamento de Trânsito. "À Polícia Militar ficou reservada a missão de conter o 'fluxo' para que ele não vire e não cause vandalismo. Isso a gente conseguiu 100%."

Os presos nesta operação demonstrariam que o perfil do traficante na área mudou em relação ao ano passado, segundo os policiais.  "A presença do PCC (Primeiro Comando da Capital), anteriormente, era constante, mais intensiva. Não temos mais isso", diz o delegado Carrasco. "(Agora) a venda lá dentro, diariamente, é de pequenas proporções por um vendedor." 

Investigações anteriores do Denarc indicam que parte da droga vem de áreas do centro, como a Bela Vista e uma favela na Rua dos Gusmões. "Vem de todas as regiões da cidade", afirma o delegado.  "Pela percepção que nós temos, (o crime) não está tão organizado como era. Os últimos disciplinas (integrante do PCC responsável por "manter a ordem" em uma área) que foram identificados foram presos."

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