Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Polícia Civil e Ouvidoria vão investigar mortes em Paraisópolis

​Em uma rede social, o governador João Doria (PSDB) lamentou o ocorrido

Paula Felix e Marco Antonio Carvalho, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2019 | 18h30
Atualizado 02 de dezembro de 2019 | 09h19

SÃO PAULO - A Polícia Civil e a Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo informaram que vão apurar as circunstâncias da ação da Polícia Militar durante um baile funk na comunidade de Paraisópolis na madrugada de domingo, 30. Nove pessoas morreram pisoteadas.

O ouvidor das polícias, Benedito Mariano, disse ao Estado que entrou em contato com a Corregedor da PM e pediu que a apuração seja conduzida por esse órgão.

Em uma rede social, o governador João Doria (PSDB) lamentou o ocorrido e falou que o caso será investigado.

Presidente do Conselho Estadual de Defesa de Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Dimitri Sales diz que o órgão vai cobrar que a polícia investigue o caso. "A gente não descarta a primeira versão apresentada pela polícia, de que eles agiram para se defender, mas os vídeos e relatos apontam outra versão de que houve abuso de autoridade e muita violência. A polícia vai ter de investigar. Não há de pairar nenhuma dúvida. Estamos solicitando que a corregedoria traga a investigação para si."

Sales criticou a ação que resultou nas mortes. "Do ponto de vista de direitos humanos, é um desastre. As pessoas não tiveram chance de se defender."

Cheila Olalla, membro da coordenação do Movimento Nacional de Direitos Humanos seccional São Paulo, diz que os jovens participam de eventos como os pancadões por falta de opções de lazer nas comunidades e que ações como a que ocorreu em Paraisópolis não podem acontecer.

"A comunidade cria alternativas de cultura para o que o Estado não oferece. Eles são jovens e não têm noção do perigo, mas os agentes do Estado têm. Eles estão lá para proteger a população. Os vídeos mostram os gritos de dor e desespero. O Estado tem de ser responsabilizado por isso."

O tumulto em Paraisópolis

Segundo a versão oficial, policiais militares perseguiam dois suspeitos em uma motocicleta quando entraram no local onde ocorria a festa, com cerca de cinco mil pessoas. Havia seis motocicletas da PM estacionadas na altura da Avenida Hebe Camargo, na zona sul, para reforçar o patrulhamento da região por causa do baile funk. 

Por volta das cinco horas da manhã, passou pelo local uma outra moto com dois suspeitos, que dispararam contra os agentes de segurança e fugiram em direção a Paraisópolis. Os policiais, então, perseguiram a dupla, de acordo com o registro policial.

Ao chegar à comunidade, os policiais afirmam que teve início o tumulto e os suspeitos se esconderam na multidão. Isso causou pânico e fez com que participantes da festa tropeçassem e se machucassem gravemente. As identidades das vítimas - uma mulher, sete homens e um adolescente de 14 anos - ainda não foram divulgadas. 

 

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