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Polícia Civil diz que quadrilha é a mesma de outros ataques e usou armamento de guerra em Botucatu

Valor de R$ 1,7 milhão roubados do Banco do Brasil foram recuperados em dois carros abandonados pelos assaltantes

Cláudio Liza Júnior, Especial para o Estado

31 de julho de 2020 | 13h19
Atualizado 31 de julho de 2020 | 17h33

CAMPINAS - A quadrilha que atacou três agências bancárias em Botucatu (SP) na madrugada desta quinta-feira usou armamento de guerra na ação e é a mesma que promoveu ações semelhantes em outras duas cidades do interior paulista, confirmou a Polícia Civil. Ainda segundo a polícia, R$ 1,7 milhão roubados do Banco do Brasil foram recuperados. 

Um suspeito foi morto, mas a Polícia Civil informou que vai investigar se ele integrava o bando. Um familiar disse, durante registro de boletim de ocorrência da ação, que o rapaz morava sob um viaduto a 150 metros do cerco policial, e não era ligado a assaltos a banco. Ele foi identificado como Ivan de Almeida, de 29 anos, morador de Botucatu. Segundo a ocorrência, policiais militares dizem que ele estava com um fuzil e um colete a prova de balas quando foi atingido. A polícia registrou a inconsistência entre a versão da PM e de familiares, e abriu uma apuração. 

Segundo o delegado-assistente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) local, Geraldo Franco Pires, as apurações rastreiam o bando após análises periciais no material apreendido, em amostras de sangue e também impressões digitais. Além desses dados, confirma que foi usado em Botucatu o mesmo modo de operação verificado nos ataques em Bauru, em setembro de 2018, e Ourinhos, em maio deste ano: envolvimento de cerca de 40 homens fortemente armados e uso de carros em chamas em acessos das cidades para facilitar a fuga.

"É uma apuração que precisa de tempo, mas estamos mobilizados e já temos alguns nomes. Estamos também aguardando diversos laudos, ansiosamente."

A polícia investiga relação dessa quadrilha com ações financiadas pela facção criminosa PCC. 

O dinheiro recuperado foi encontrado em dois carros abandonados por assaltantes. Foram apreendidos também oito carros de luxo blindados, a maioria da marca Land Rover, um fuzil antiaéreo .50, uma metralhadora 9mm, três granadas, 17 artefatos explosivos e um rádio comunicador. 

Cerca de 200 policiais civis e militares, de batalhões especializados, da cidade e municípios vizinhos foram mobilizados na caça aos assaltantes. Dois policiais militares foram feridos levemente em confrontos na madrugada. Foram ao menos cinco tiroteios pela cidade.

O Banco do Brasil informou que trabalha para normalizar o atendimento em Botucatu no menor prazo possível e que a agência deve reabrir na semana que vem, ainda sem data definida. A instituição não comenta sobre valores roubados.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou em nota que a morte de Ivan de Almeida em uma das ações de combate à quadrilha que atacou bancos em Botucatu será investigada por delegacias especializadas, corregedorias de polícia e comunicada ao Ministério Público.  Ainda conforme o texto, a adoção desse tipo de medida é comum e determinada pela pasta  em todos casos de  mortes decorrentes de intervenção policial. Na ocorrência registrada, Almeida é caracterizado como suspeito morto em confronto. A SSP não comentou as declarações de familiares, afirmando que o rapaz era morador de rua e não participou dos assaltos.

Também em nota, a secretaria informou que trabalha permanentemente para reduzir os casos de roubo a banco no estado. "O mês de junho deste ano não registrou nenhum caso e o semestre registrou segundo menor número (14) de casos da série histórica, atrás apenas de igual período de 2019 (11 casos)". Informou ainda que o trabalho integrado entre as polícias Civil e Militar resultou na prisão de 14 criminosos envolvidos com essa prática e a apreensão de 43 fuzis utilizados nessas ações nos primeiros seis meses de 2020. 

COMÉRCIO

 O ataque a bancos em Botucatu na madrugada desta quinta-feira motivará uma campanha para ampliação do Programa Vigilância Solidária por parte de comércio, segundo a presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Fátima Baldini. A Associação Comercial local também informou que reforça o pedido da polícia para que empresários denunciem pessoas com atitudes suspeitas.

Fátima caracterizou a ação criminosa como uma guerra dentro de outra guerra, que é o combate à covid-19 e seus problemas econômicos. Além da invasão a três bancos, os bandidos também atiraram em transformadores para cortar a energia na região central, fizeram reféns em uma farmácia e roubaram uma joalheria.  

A dirigente diz que o setor irá procurar fazer uma reunião com as forças de segurança para debater essa ampliação do programa. Instituído no ano passado, por iniciativa das polícias, o Segurança Solidária é um grupo formado por aplicativo de celular que conecta lojistas entre eles e a policiais, para o envio de alerta caso algum membro perceba uma movimentação suspeita na cidade.

Hoje, reúne dezenas de integrantes, restritos aos corredores centrais, e a intenção do sindicato é expandi-lo para várias regiões. Ela elogiou a reação rápida das forças de segurança para caçar os assaltantes e acredita que a cidade é segura, mas ressalta que o medo deve crescer nos próximo dias.

"Quando acontece uma coisa dessas, desperta a questão da segurança. Vamos fazer nova campanha. Esperamos adesão de todos  empresários do comércio varejista, bares e restaurantes. E que se espalhe para bairros também, não só comércio e região central", afirmou.

Na quinta, o sindicato recomendou o fechamento das lojas para contribuir com as ações policiais. Nesta sexta-feira, reabriu por quatro horas, em esquema especial de enfrentamento à covid.

Assim como Fátima, Emílio Angella Neto, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Botucatu, disse acreditar nas investigações em curso da PM, GM e Polícia Civil sobre os ataques. "Esperamos que em breve esse crime seja elucidado e os responsáveis punidos conforme a lei."

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