Polícia Civil conclui inquérito sobre morte de cinegrafista

Investigação foi enviada à promotora, que tem 5 dias para analisá-la; advogado quer anular trabalhos de delegado

MARCELO GOMES / RIO , O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h08

Oito dias após o cinegrafista da Band Santiago Andrade, de 49 anos, ter sido atingido na cabeça por um rojão durante uma manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus no centro do Rio, a Polícia Civil entregou ontem ao Ministério Público o inquérito que apurou a morte do jornalista, declarada na manhã de segunda-feira.

No inquérito de 175 páginas, o delegado Maurício Luciano de Almeida, da 17.ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão), indiciou o tatuador Fábio Raposo e o auxiliar de serviços gerais Caio Silva de Souza, ambos de 22 anos, por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) qualificado (por uso de artefato explosivo) e crime de explosão. Eles podem pegar até 35 anos de prisão.

Raposo e Souza estão com a prisão temporária decretada. Almeida também requereu a conversão da prisão em preventiva, para que a dupla permaneça no presídio até o julgamento.

Como os indiciados estão presos, a promotora Vera Regina de Almeida, da 8.ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), terá prazo de cinco dias para analisar o inquérito e decidir se oferece denúncia à Justiça.

Após conversa de duas horas com a promotora, o delegado disse ontem que espera que ela concorde com a polícia. "A conversa serviu para eu explicar à promotora os pormenores da investigação", disse Almeida.

Caso Raposo e Souza sejam denunciados à Justiça por homicídio doloso e o juiz Murilo Kieling aceitar a denúncia, eles vão virar réus. Se pronunciados, vão a júri popular.

O advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende os dois acusados, disse ontem à tarde que vai pedir a anulação do inquérito. Nunes esteve ontem no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste, para saber o motivo que levou Souza ter dito à polícia, em depoimento na noite de quarta-feira no presídio, que o rojão foi aceso por Raposo. O depoimento contradiz a primeira versão do auxiliar de limpeza, que admitiu à TV Globo ter acionado o artefato.

Segundo o advogado, Souza disse que foi acordado por seis policiais que entraram na cela e só falou por se sentir acuado.

Almeida negou pressão. "Foi o próprio Caio que pediu para ser ouvido. Talvez ele não quisesse falar na presença do advogado", ironizou.

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