Polícia atira bomba e balas de borracha contra moradores de favela incendiada

Os moradores jogaram um par de tênis contra os policiais, que reagiram com bombas de efeito moral e balas de borracha

Bruno Ribeiro e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

02 Abril 2014 | 18h24

Houve um pequeno confrontro entre policiais e moradores da favela incendiada na região da Penha, por volta das 18h15 desta quarta-feira, 2, logo após o fogo ser controlado. Os moradores se queixam de negligência do Corpo de Bombeiros durante a operação de controle das chamas, que levou duas horas.

Segundo as famílias, os bombeiros deixaram a comunidade pegar fogo. A corporação nega e explica que teve dificuldades em apagar o incêndio porque a favela é um corredor de difícil acesso. Revoltados com a demora, os moradores jogaram um par de tênis contra os policiais, que reagiram com bombas de efeito moral e balas de borracha. O clima ainda era tenso por volta das 18h30.

Em nota, a Polícia Militar informou que "foi necessária ação de controle de distúrbios civis" em relação aos moradores da comunidade da Penha. "Em que pese a compreensível condição de revolta por conta do incêndio e seus prejuízos, a Instituição foi obrigada, por dever de ofício, a impedir alguns moradores de invadirem um condomínio que fica ao lado da comunidade."

Foi controlado por volta das 17h30 o incêndio de grandes proporções que atingiu uma favela na região da Penha, zona leste de São Paulo, conhecida como Fazendinha ou Aracati. Os barracos ficam na Rua Aracati, altura do número 320. Segundo o Corpo de Bombeiros, a favela tinha 400 barracos e 360 foram totalmente destruídos. Não houve mortes.

Quatro pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para o Pronto-Socorro do Tatuapé. Entre eles, um hipertenso, um diabético e uma gestante. O quarto queimou a mão. A Defesa Civil e a Subprefeitura da Penha estão na comunidade neste momento e fazem o cadastramento das famílias desalojadas. Os desabrigados devem ser transferidos temporariamente para um clube-escola.

Informações preliminares do Corpo de Bombeiros atribuem a causa do incêndio a instalações elétricas improvisadas, o chamado "gato". O incêndio interditou totalmente a Rua Cirino de Abreu, sob o Viaduto Engenheiro Alberto Badra, próximo à estação da Penha.

O fogo começou em um barraco por volta das 15h30. Foram encaminhadas para o local 26 viaturas dos Bombeiros. A subprefeitura da Penha, a Prefeitura de São Paulo, a Eletropaulo e a Defesa Civil se deslocaram até a comunidade.

 

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