Polícia apura ligação de traficante com morte de MC Daleste

Linha de investigação reforça tese de que tenha ocorrido crime passional

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2013 | 19h39

CAMPINAS - A Polícia Civil de Campinas investiga a relação de um traficante com a morte do funkeiro Daniel Pellegrino, de 20 anos, o MC Daleste, assassinado durante um show na periferia da cidade, no dia 6. A linha de investigação reforça a tese de crime passional. Nesta quinta-feira, dia 18, o Instituto de Criminalística (IC) realizou a reconstituição simulada do caso.

A Delegacia de Homicídios de Campinas apura o envolvimento de MC Daleste com a namorada de um traficante de um bairro da região do San Martin, periferia de Campinas, onde o cantor foi morto, após ser alvo de dois tiros. O primeiro pegou de raspão e o segundo transfixou o corpo pelo abdome.

A polícia já tem a identificação da moça. O delegado de Homicídios, Rui Pegolo, não quis comentar o caso ontem. Ele acompanhou a reconstituição realizada durante toda manhã, em Campinas. A perícia concluiu que os tiros foram disparados de uma distância de 40 metros e que o assassino estava escondido atrás de um carro abandonado, de uma casa em construção ou de um morro de areia, que dão acesso fácil de fuga por uma mata.

"Não temos dúvida que foi um atirador que sabia o que estava fazendo e planejou tudo com antecedência", afirmou a perita criminal Ana Cláudia Diez. "Nós fizemos a linha de tiro e conseguimos setorizar, naquela região entre o terreno baldio, a caixa d'água e os fundos da construção." Outra conclusão da perita foi que os dois disparos foram feitos por uma pessoa. MC Daleste foi alvo de dois disparos, um atingiu sua axila de raspão e o outro perfurou o corpo. A polícia ainda não sabe a arma usada nem o calibre.

Reconstituição. Durante a reconstituição, os peritos simularam a trajetória das balas com barbantes, seguindo as marcas das balas e o laudo do corpo, feito pelo Instituto Médico Legal (IML). Muitos curiosos, fãs e jornalistas acompanharam a reconstituição.

O açougueiro José Severino Alves, de 50 anos, que mora na casa em construção, que pode ter servido de esconderijo para o autor dos disparos, ajudou a polícia com informações. "Eu não estava em casa, mas minha mulher estava dormindo e acordou assustada. Ele ouviu um estalo e achou que era pedra na telha", disse Alves, que já foi ouvido pela polícia. Ele não é suspeito no caso.

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