Polícia apreende táxis clandestinos em Congonhas

Estimativa é de que cerca de 30 veículos atuem irregularmente no aeroporto, sobretudo depois das 20 horas; ninguém foi preso

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2012 | 03h03

Seis táxis clandestinos foram apreendidos ontem no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo - e a polícia estima ainda que outros 30 atuem diariamente no aeroporto. Nove pessoas foram levadas para a delegacia e prestaram esclarecimentos, incluindo seis falsos taxistas e três "arrastadores", responsáveis por levar o passageiro até o carro.

O esquema funciona principalmente na área de desembarque, no primeiro andar do aeroporto. Depois de pegar a bagagem e sair da área reservada, o passageiro é abordado por um "arrastador", que se aproxima e oferece o táxi - é comum ver funcionários de empresas credenciadas fazendo o mesmo, o que confunde o passageiro na hora de identificar o clandestino.

Uma vez "laçado", o passageiro é levado até o carro que, na maioria das vezes, se parece com um táxi comum - branco, com identificação e taxímetros falsos, mas sem a placa vermelha característica dos veículos autorizados. Nem todos, porém, são assim. Um dos carros apreendidos ontem era um Ford Fusion preto sem qualquer semelhança com um táxi normal.

Apesar de ter um taxímetro "frio" - sem registro ou número de série -, o golpe dos clandestinos é combinar previamente um preço fechado com os passageiros, que é induzido a pensar que vai pagar mais barato pela corrida dessa maneira.

"Eles cobram quase o dobro do preço de uma corrida comum. Mas, na pressa e por conveniência, as pessoas acabam fechando negócio", afirma o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, titular da Divisão de Portos, Aeroportos e Proteção a Turistas. Uma corrida do aeroporto para a Avenida Paulista, por exemplo, que custa em média R$ 30, é oferecida por R$ 60 pelo serviço clandestino.

Porcentagem. Os arrastadores ganham uma porcentagem pelo valor da corrida. Três deles - Ubirajara Matos Bocatto, José Tadeu Vitolli e Luís Sebastião da Silva - prestaram esclarecimentos à polícia mas não foram presos, assim como seis homens que atuavam como taxistas: Percy Cardoso, Abidiel Souza Guimarães, Fernando de Lima Dantas, Rodrigo Cordeiro de Castro, Steve Dias Perusa e José Barros Machado Filho.

"Não prendemos porque a legislação é falha nesse ponto. O que eles fazem é contravenção, não há enquadramento por crime", afirma o delegado diretor do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), Aldo Galiano Junior.

À noite. O pior horário para "cair no laço" de um "arrastador" ou taxista clandestino em Congonhas é à noite. Segundo a polícia, eles atuam principalmente na saída dos últimos voos que pousam em Congonhas, das 20h às 23h.

"Existe essa lacuna para a atuação deles depois que os fiscais da SPTrans (a serviço do Departamento de Transportes Públicos) vão embora, às 20h. De dia existem os clandestinos, claro, mas são mais discretos", afirma o delegado Osvaldo Nico Gonçalves.

Questionada, a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) afirma que em Congonhas "existe uma base operacional fixa do Departamento de Transportes Públicos (DTP), que funciona das 6h às 23h, com 12 agentes divididos em turnos".

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) afirma que "a fiscalização dos táxis é de responsabilidade da Prefeitura", mas colabora com campanhas informativas e orienta os usuários a se dirigir ao subsolo e utilizar os táxis credenciados.

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