Polícia apreende 16 obras falsas de Aldemir Martins

Colecionador comprou três telas na Riviera de São Lourenço; desconfiado, procurou ajuda e levou polícia às outras falsificações

Mônica Pestana, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

Onze telas e cinco gravuras atribuídas ao pintor cearense Aldemir Martins foram apreendidas pela Polícia Civil desde sexta-feira. Um colecionador desconfiou da falsificação de obras adquiridas em leilão e conseguiu, com auxílio do Estúdio Aldemir Martins, confirmar que as obras não eram do artista.

"O inquérito continua e precisamos de um atestado oficial, provando que são falsas", disse José Roberto de Arruda, delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes Cometidos Contra Fé Pública do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic). Até o momento, ninguém foi indiciado por estelionato e falsificação ideológica. "Ainda não sabemos se há somente um falsificador", afirma.

Riviera de São Lourenço. A vítima comprou as obras denominadas Mulher e Gato (duas telas) em uma galeria da Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral de São Paulo. Elas apresentavam certificado de autenticidade assinado pelo artista, com firma reconhecida em cartório.

O proprietário da galeria, que havia afirmado ter como comprovar a procedência das obras, foi convidado a depor, mas não compareceu. Pedro Martins, filho do artista, classifica como grosseiras as falsificações apresentadas (veja acima). "Meu pai tem uma caligrafia em seu desenho que é só dele e a gente que estuda a obra consegue identificar", explica. "Meu trabalho é preservar a obra do meu pai. Hoje (ontem), ele completaria 88 anos, acho que é um presente para ele."

Na sexta-feira, os policiais apreenderam no litoral sete pinturas (acrílico sobre tela), cinco gravuras, notas fiscais e documentos. A tela Cangaceiro, datada de 2000 (ano em que o artista já não pintava mais esse tema), foi interceptada no momento da entrega, na Aclimação, região central da capital paulista; as outras três obras estavam na casa do colecionador. As investigações duraram dois meses.

Valor. Cangaceiro foi comprada por R$ 8 mil. Segundo o filho do artista, a tela poderia alcançar até R$ 40 mil. "Quem entende de arte poderia desconfiar do valor baixo. Por isso é importante pesquisar antes de comprar."

Para a ex-proprietária de galerias Christina Faria de Paula, os interessados em adquirir obras de arte de alto valor precisam informar-se. "O mercado brasileiro é complicado. A segurança maior é saber a história do quadro, a procedência", avalia. Já Pedro Martins recomenda que o colecionador procure especialistas. "No estúdio, toda semana aparecem falsificações. De dez quadros, quatro são falsos."

INDÍCIOS DE FRAUDE

As pinceladas do artista misturavam as tintas. As telas apreendidas não têm a mesma mistura nas pinceladas.

Aldemir assinava na frente e no verso dos quadros. As obras falsas também tinham duas assinaturas, mas não batem.

QUEM É

ALDEMIR MARTINS: Pintor nascido em Ingazeira, em 8 de novembro de 1922, integrou o grupo de renovação modernista no Ceará e sempre se dedicou a temas ligados ao Nordeste. Em 1946, mudou-se para São Paulo, onde morreu, em 2006.

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