Polícia ainda busca elo entre empresas de ônibus e PCC

Trabalho já resultou até em relatório de inteligência da PM, mas até hoje não há fatos comprovados

Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta, Luciano Bottini Filho e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

30 Julho 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A suposta ligação entre empresas de ônibus de São Paulo e o Primeiro Comando da Capital (PCC) é alvo de investigações tanto do Ministério Público Estadual (MPE) quanto da Polícia Civil. Já resultou até em um relatório de inteligência elaborado pela Polícia Militar, mas até hoje não há fatos comprovados. 

O relatório da PM, ao qual o Estado teve acesso, focou na queima de ônibus ocorrida principalmente nos dois primeiros meses do ano. “Os dados revelam a proximidade com pontos de venda de drogas” e locais perto de favelas, mas não se propõe a investigar eventuais autores dos delitos. Em janeiro e fevereiro de 2014, 47 coletivos haviam sido queimados. No mesmo período do ano anterior, foram oito ônibus.

No dia 15 de julho, em operação para desarticular “o centro financeiro” da facção criminosa, a Polícia Civil apresentou denúncia contra 42 pessoas suspeitas de ligação com o PCC. Prendeu 40 pessoas, acusadas de tarefas que iam da estocagem da droga à coleta de mensalidades cobradas pela facção. 

Na época, o delegado de polícia Wagner Giudice, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), declarou que “integrantes da facção poderiam usar peruas para lavar dinheiro, mas essa não era uma das fontes de renda da facção”.

Em abril, a Polícia Federal fez uma operação contra o tráfico de drogas em Santos, no litoral paulista, em que apreendeu 3,7 toneladas de cocaína. Ao menos quatro dos 23 presos foram diretamente relacionados à facção criminosa. Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça apontavam um esquema para lavagem de dinheiro que usava uma transportadora da zona leste da capital. 

Cível. A maior parte das empresas citadas na investigação do MPE já deixou de prestar serviço para a São Paulo Transportes (SPTrans), empresa da Prefeitura de São Paulo que controla a frota de ônibus. Porém, parte do corpo societário das empresas que entraram no lugar é o mesmo que estava nas companhias antigas. A saída das empresas ocorreu por causa do inquérito movido pela Promotoria do Patrimônio Público e Social, que apurou, até 2012, irregularidades na prestação do serviço de transportes - como atrasos nas partidas, sujeira dos coletivos e falta de educação dos motoristas, entre outros.

A Viação Novo Horizonte chegou a mudar seu nome para Itaquera Brasil antes de ser descredenciada. Mas a Prefeitura encerrou os serviços com ela em outubro de 2013. Na Junta Comercial, pessoas citadas na investigação do MPE, como Gerson Adolfo Sinzinger, ainda são sócios da Itaquera. Já a Himalaia, descredenciada, foi substituída pela Express Brasil. 

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