Polícia ainda busca corpo de Eliza

Adolescente disse que ex-amante de Bruno foi enterrada numa casa em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte, mas ontem nada foi encontrado

Tiago Dantas, enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2010 | 00h00

A polícia mineira fez ontem buscas em uma casa em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, apontada pelo adolescente J., de 17 anos, como o local onde Eliza Samudio foi morta e enterrada. O imóvel pertence a um ex-policial civil, amigo de infância do goleiro Bruno Fernandes. No local, foi apreendido um Citroën XZ com vestígios de sangue no porta-malas.  

 

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Segundo a polícia, o veículo estava estacionado na frente da casa. Embora o automóvel pertença a outra pessoa, era usado pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Marquinhos Paulista ou Russo. Ele não foi localizado ontem e deve ser convocado para depor. Um exame de DNA vai apontar se o sangue no carro é de Eliza.

Ontem, a polícia passou cerca de oito horas no imóvel. Em depoimento, o adolescente J., primo de Bruno, afirmou ter estado na casa com Eliza e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, um dos presos pelo envolvimento no desaparecimento da ex-namorada de Bruno. O corpo dela teria sido enterrado e cimentado.

Sem corpo. "O jovem disse que presenciou um crime nesta casa. Não foi tiro nem facada. Ele viu uma asfixia mecânica (estrangulamento)", afirmou o delegado Vagner Pinto, chefe da Delegacia de Homicídios de Minas Gerais, que conduz as investigações. "Não encontramos nenhuma evidência no imóvel", disse. Os trabalhos envolveram dez policiais civis e dois peritos do Instituto de Criminalística.

Para entrar no imóvel, os investigadores tiveram de retirar dez cães que estavam no quintal. A possibilidade de que os cachorros, da raça rottweiler, tenham devorado parte do corpo de Eliza será investigada.

Os policiais cavaram vários pontos do quintal da casa de Russo e chegaram a usar o luminol, substância que reage ao sangue, para procurar pistas da suposta presença de Eliza no local. No quintal, o resultado foi negativo. No fim da tarde, a polícia encerrou os trabalhos no imóvel.

Perfil. Russo foi expulso da Polícia Civil mineira acusado de roubo a mão armada. Vizinhos relatam agressões cometidas por ele contra usuários de drogas. Atualmente, ele trabalha com adestramento de cachorros. Russo vive no imóvel com a mulher e três filhos. "Ele é o tipo de vizinho do que não se tem do que reclamar", diz um vizinho.

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