José Patricio/AE - 31/1/2011
José Patricio/AE - 31/1/2011

Polícia admite que assalto é inevitável em rua da zona sul

''Ladeirão'' entre Avenidas Giovanni Gronchi e Morumbi atrai ladrões que fogem facilmente por vielas de Paraisópolis

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2011 | 00h00

Ser assaltado no caminho entre as Avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi, região sul e nobre de São Paulo, já se tornou "um clássico". É como definem os vizinhos da Rua Doutor Francisco Tomás de Carvalho, conhecida como "ladeirão", ao lado da favela de Paraisópolis. Até a polícia admite: assaltos na via ocorrem todos os dias e acabar com eles é considerado quase impossível.

O "ladeirão" é um acesso importante da região. Uma via movimentada, de mão dupla, que começa na Praça Moacir Nicodemus e termina na Giovanni Gronchi. Como a via é o limite da favela, os becos e vielas de Paraisópolis são fugas fáceis para os criminosos. Eles se aproveitam de motoristas de classe média alta parados no trânsito para agir.

No começo do mês, quatro casos foram registrados em menos de 24 horas. Todos na via ou próximo do semáforo com a Giovanni Gronchi. O taxista Fernando Oliveira de Brito, de 37 anos, foi uma das vítimas. No caso dele, ironicamente, a alta frequência de crimes na região colaborou para o resgate de seu carro. Passava das 2h de um sábado quando ele levava para casa um morador do entorno da favela. Diminuiu a velocidade por causa da lombada eletrônica que há na rua e foi abordado por dois homens armados, que levaram o carro.

Menos de um minuto após os ladrões arrancarem com seu Palio Weekend, duas viaturas da Polícia Militar apareceram. Os policiais procuravam outros criminosos. Horas antes, ladrões haviam tentado assaltar Marcos Livio Barra Teixeira, de 56 anos, que foi baleado.

Perseguidos pela polícia, os ladrões do táxi só pararam quando bateram em um poste, a quatro quarteirões do local do assalto. Os dois assaltantes foram presos. Tinham uma arma de brinquedo e uma escopeta velha.

Cotidiano. A funcionária de um posto de gasolina na rua, que não quis se identificar, diz que vive assustada. "Os assaltos acontecem todos os dias." Ela afirma que, à noite, é comum encontrar no asfalto estilhaços dos carros.

De acordo com o comandante da Companhia do 16.º Batalhão da Polícia Militar, Edinaldo Soares Alexandre, responsável por Paraisópolis e Morumbi, menores de idade, desarmados, cometem a maioria dos assaltos, mas a frequência é muito alta. "São muitas vias de acesso para a favela, é humanamente impossível detê-los", afirma ele.

O capitão ressalta, porém, a ação da Polícia Militar para enfrentar o problema. A PM mantém bases móveis em dois pontos da rua. "Em torno de 90% são roubos ou furtos praticados sem arma. Já percebemos que muitos assaltos são cometidos pelos mesmos ladrões."

A delegada Silvana Sentieri Francolin, do 89.º DP, diz que o trabalho de prevenção está sendo feito e concorda que o grande desafio é acabar com os assaltos. "Temos dado atenção especial àquela região, mas há muitas rotas de fuga."

A Polícia Militar diz realizar dez operações por mês somente na mesma rua. A Secretaria de Segurança não divulgou o número de ocorrências na rua e no entorno. Informou que, em 2010, 31 armas foram recolhidas.

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