Polícia acha mais agredidos pelo atirador

Empresário atirou em carro de casal na zona sul; até agora, são 12 pessoas e 16 carros envolvidos nos ataques

FELIPE TAU, JORNAL DE TARDE, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h05

A Polícia Civil encontrou mais duas vítimas dos ataques praticados pelo empresário e artista plástico Michel Goldfarb Costa, de 35 anos, na manhã de segunda-feira. Agora, estima-se que 12 pessoas e 16 carros tenham sido afetados pelos roubos e disparos de Costa.

Na tarde de ontem, ele prestou depoimento no 26.º DP (Sacomã) e foi indiciado formalmente por quatro tentativas de latrocínio, três homicídios tentados, porte ilegal de arma, disparo em via pública e lesão corporal.

As novas vítimas de Costa são um casal que estava em um Corsa abordado pelo empresário no cruzamento da Avenida Tancredo Neves com a Rua Nossa Senhora das Mercês, no Sacomã, na zona sul da capital paulista.

No depoimento prestado ontem à polícia, o motorista contou que no momento em que percebeu a abordagem de Costa, abaixou-se no carro e disse à mulher para fazer o mesmo. Costa disparou sua arma uma vez em direção ao casal e o tiro acertou o banco da passageira. O motorista conseguiu acelerar e fugir.

Entre a manhã e a tarde de ontem, o delegado titular do 26.º DP, Marcos Antônio Manfrin, ouviu quatro vítimas, que reconheceram o empresário como autor dos crimes.

Costa havia se entregado na mesma delegacia na noite de anteontem. Na ocasião, ele disse que não tentou matar ninguém e saiu de casa na madrugada de segunda-feira porque pensou que alguém estivesse invadindo seu imóvel, em Caucaia do Alto, na Grande São Paulo, para matá-lo.

Ele disse anteontem que foi ameaçado de morte por vizinhos no ano passado por causa do barulho dos 12 cães que tem em casa. Com discurso confuso, chegou a culpar as vítimas dos roubos. "Eles viram um cara com um colete e arma na mão e demoraram para entregar o carro? Também foram inconsequentes", disse anteontem.

Silêncio. No entanto, ao falar com a polícia ontem, sua estratégia mudou. O depoimento de Costa foi o último colhido no dia. Segundo o delegado, em cerca de uma hora e meia de interrogatório, o empresário negou-se a esclarecer o motivo de sua série de ataques na segunda-feira. Ele também afirmou que só falaria em juízo. "Ele dizia estar confuso e, de fato, parecia", disse o delegado titular do 26.º DP.

Às 19 horas, Costa foi levado à carceragem do 77.° DP (Santa Cecília), onde passou a noite de anteontem para ontem. Na viatura, ao deixar o 26.º DP, o empresário disse à imprensa que "ainda não era hora de falar" e "daria as informações na hora certa".

O advogado de defesa de Costa, Nicolau Aun Júnior, disse que o silêncio não foi sugestão sua. "Eu o orientei a falar, mas ele não me ouviu. Valeu-se de um direito constitucional", disse o advogado. Na opinião de Naum, o silêncio atrapalhou a defesa de Costa.

Exame. O delegado Manfrin afirmou que não pedirá exame psicológico do acusado. "Por enquanto, ele será tratado como um criminoso normal", disse.

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