Polícia acha covas de 'tribunal do crime'

Traficantes que seriam ligados a facção criminosa 'julgavam' e puniam [br]desafetos; cinco corpos foram encontrados em Cidade Tiradentes

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

Uma investigação de roubos a condomínios terminou com a prisão de quatro supostos traficantes e a descoberta de um cemitério clandestino na Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo. Além da venda de droga, o grupo comandava um "tribunal do crime", julgando inimigos e desafetos. Cinco corpos foram encontrados em um matagal - e a polícia acredita que haja outros no local, todos de vítimas de "sentenças" dos criminosos.

Um quinto suspeito está foragido. O funileiro Gilmar Magalhães Lima, o "Má", de 28 anos, seria um dos líderes do grupo. O tribunal consistia em um esquema de punição: a vítima era presa e sua morte debatida entre os criminosos. Enquanto cavavam sua cova, a pessoa poderia fazer a defesa. Para não chamar a atenção, os assassinatos eram por enforcamento ou golpes de picaretas - nunca tiros.

A polícia acredita que o grupo tenha ligações com facções criminosas. Apontado como um dos líderes, Marcel Andrade de Oliveira, de 27 anos, o Barata, citou em depoimento telefonemas a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que estão presos para discutir o julgamento de uma das vítimas, um homem que teria feito uma "arruaça" em uma festa e atirado nos "irmãos" - tratamento usado pelos membros da facção.

 

"Ligamos lá na cadeia para saber a caminhada. Os irmão falou: "É xeque-mate. O cara quis tirar a vida do irmão aí...(sic)"", relatou Barata aos policiais do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic).

Os mortos ainda não foram identificados. "Acreditamos que são pessoas que infringiam a lei do crime", disse o delegado Carlos Alberto Heib, da Delegacia de Repressão a Roubo a Condomínios (DRRC) do Deic. Pelo estado de decomposição, as mortes teriam acontecido no período de seis meses a um ano.

As prisões e a descoberta dos corpos ocorreram ao longo de uma investigação que durou 90 dias. Todos os acusados têm passagens pela polícia.

Barata e os comparsas são conhecidos pelos vizinhos. "Conheço desde pequena, crescemos juntos. Mas eles ficavam lá e a gente aqui", disse uma das moradoras, de 20 anos, que não quis ser identificada. O local em que ocorria o tráfico é uma rua sem saída, cercada por conjuntos habitacionais e o matagal onde ocorriam as execuções. "Nunca soube de mortes, mas depois que a polícia veio ficou mais tranquilo", diz outra estudante, de 21, que preferiu o anonimato. Também foram presos e indiciados por tráfico Lincoln Luiz da Silva, de 21 anos, Adriano Andrade do Nascimento, de 29, e Alan Flávio dos Santos, de 31. Os crimes de homicídio serão apurados. / COLABOROU TIAGO DANTAS

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