Polêmica faz Tocantins trocar pink por laranja

Críticas põem fim a plano do uniforme rosa para presos e verde-limão para as detentas

Damaris Giuliana, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2011 | 00h00

Depois da polêmica sobre a cor dos uniformes dos presidiários, o governo do Tocantins resolveu mudar o tom: agora os presos vão vestir laranja e as detentas, amarelo-canário. Inspirado em experiências americanas e australianas de redução de reincidência criminal a partir das cores, o secretário de Segurança, Justiça e Cidadania do Estado, João Costa, queria adotar o pink para homens e o verde-limão para mulheres.

Costa voltou depois da reação de órgãos de defesa dos direitos humanos, que consideraram a medida vexatória. Ele criou uma comissão para estudar o tema, que decidiu as novas cores. "Estudos cromoterápicos indicam que essas cores (laranja e amarelo) ajudam na regeneração óssea, no autocontrole, estimulam o raciocínio, trazem luz e harmonia para superar situações de estresse, elevando a autoestima", disse a comissão.

Mas há alguma comprovação científica de que o pink e o verde-limão acalmariam a população carcerária? Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo, diz que sim. "Tanto o pink quanto o verde-limão são cores com qualidades calmantes." Segundo ele, qualquer tom de verde tem relação com esperança, mexe com a autoestima e traz equilíbrio e harmonia para corpo e mente.

"A mulher aprisionada, normalmente, apresenta problemas de autoestima. Artigos relatam que sua percepção seria mais bem trabalhada quando exposta a essa cor", diz o médico. "Já o pink, um vermelho atenuado, desenvolve compaixão, sociabilidade e bem-estar. Tem relação fundamental com o desejo de progredir na vida."

Troca. Inverter as cores entre os sexos produziria o mesmo efeito? Não, segundo Monezi. "Estudos também apontam que o verde ajuda no equilíbrio hormonal. Oscilações hormonais fazem parte do ciclo menstrual e, muitas vezes, a agressividade das detentas tem relação com esses desequilíbrios", explica. "Já o homem produz testosterona, um hormônio importante na fisiologia da agressividade. A literatura indica que o pink pode regular a liberação da testosterona, reduzindo a agressividade."

Entretanto, diz o médico, "a reação à cor depende de condições físicas, psicológicas e influências culturais". Também é preciso considerar a experiência individual. "Se a mulher, na fuga após o crime, passou três dias perdida na mata, provavelmente o verde causaria ansiedade ou até fobia", exemplifica.

Efeito. A ideia era usar as cores dos uniformes também nas edificações. Para o biomédico Wagner Gabriel, que há 20 anos estuda cromoterapia, elas são uma ferramenta de apoio. "Não funciona se outras questões não forem resolvidas no presídio", diz. "É muito diferente você pintar uma casa e um local de onde a pessoa não pode sair. Tampouco se aplica em um refeitório a mesma cor de um local para dormir." Independentemente da escolha, Gabriel alerta: "Não existe receita de bolo e o uso errado pode funcionar como bomba."

EFEITO DAS CORES

Vermelho

Estimula vitalidade, atividade mental e sexualidade. Deve ser usado com moderação.

Azul

Serenidade, paz e tranquilidade. Em tom escuro, é estimulante.

Violeta

Sossego, intuição, imaginação

e equilíbrio.

Branco

Pureza. Significa calma, simplicidade e limpeza, mas também transmite frieza.

Preto

Elegância, serenidade e autoridade. Potencializa o efeito das outras cores. Em excesso, pode deprimir.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.