'Poderíamos estar ao lado do México', diz ministro

Mercadante ressalta que inclusão de estudantes teve impacto e País poderia ter média até 10 pontos maior; ele cobra mudança no programa

LISANDRA PARAGUASSSU , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2013 | 02h05

O avanço brasileiro em Matemática na última década, o maior entre todos os participantes, foi comemorado pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, como uma demonstração de que o País está no caminho certo. "Estamos nos comparando nesse período com países que investem muito mais em Educação que o Brasil e ficamos em 1.º lugar (na evolução)." Para ele, alguns fatores poderiam colocar o País até mais à frente.

No relatório do Pisa, o País mereceu três páginas de destaque sobre sua evolução, que foi, em média, de 4,1 pontos por ano. Mercadante ainda destacou o fato de os piores resultados terem diminuído. "Tínhamos mais de 50% dos estudantes abaixo do nível 1 de proficiência. Caiu para 30%."

Apesar da falta de alunos com nota máxima, Mercadante ainda fez questão de destacar que as escolas federais têm resultados comparáveis aos países ricos da OCDE. Com 484,9 pontos, estariam ao lado de Itália e Espanha e acima dos EUA. "O topo da escola pública é igual à França, à Inglaterra."

Mercadante também ressaltou um estudo que o relatório apresenta, mostrando que o Brasil incluiu 420 mil estudantes de 15 anos na última década, o que teve impacto na avaliação. Segundo o próprio Pisa, o Brasil teria 412 pontos (ante os 402 atingidos) sem esses novos estudantes e estaria quatro posições acima, ao lado do México. "A inclusão é fator relevante e a OCDE destaca isso. A maioria dos países que estão caindo não colocou estudantes a mais", disse.

Para Mercadante, houve "um grande avanço, que merece ser reconhecido e valorizado, apesar de termos muito trabalho pela frente". "Saímos de uma posição muito difícil, muito baixa, e temos ainda muito trabalho para a gente poder de fato considerar que a qualidade da educação no Brasil está entre as melhores do mundo."

China. O ministro levantou mais uma vez a constante reclamação do Brasil com parte da metodologia do Pisa, apesar do País participar desde a primeira prova, em 2000. Uma delas é a metodologia usada para selecionar as amostras usadas em cada país, que permite aos governos selecionar partes, e não toda a rede. O alvo principal foi a China, a primeira colocada, que usa como amostra apenas 5 mil estudantes em 90 escolas de uma única província, Shangai.

"Eles pegaram o Estado que tem o PIB per capita 2 vezes superior ao do país e onde 80% dos estudantes entram no ensino superior, 4 vezes mais que a média da China. Na nossa amostra tem todo tipo de escola."

O Brasil, que entrou para o conselho do Pisa, pretende discutir parte da metodologia. Uma das queixas é de que os resultados deveriam usar outros indicadores, como a inclusão. O presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Cunha, é o vice-presidente do Conselho.

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