Pneu estoura e polícia executa jovem no Rio

Um sargento da Polícia Militar do Rio foi preso em flagrante na madrugada de ontem, após confessar ser o autor do disparo de fuzil que matou um adolescente de 17 anos no domingo no bairro de Cordovil, na zona norte da cidade. Rafael Fernandes da Silva foi atingido no pescoço e morreu no local, após o carro que dirigia ter sido atingido por quatro tiros. O veículo foi cercado por duas viaturas da PM, após o pneu ter estourado em um buraco na via. Indiciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar, o policial afirmou em depoimento que confundiu o barulho do pneu com tiros.

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2012 | 02h02

Rafael da Silva foi enterrado ontem no Cemitério do Irajá. O adolescente se preparava para ser bombeiro, sonho desde criança. A mãe está em choque. "Minha sensação é de ódio. Eles destruíram minha família", afirmou o padrasto, Luiz Bastos.

No domingo, Rafael pegou o carro escondido da mãe para visitar, com dois irmãos e dois amigos, as namoradas. Ao perceber que o filho havia saído, a mãe pediu que ele retornasse. Na volta, o estudante teria caído no buraco e estourado o pneu.

Em depoimento, os oito militares afirmaram que pediram aos jovens que descessem e colocassem a cabeça no chão. Um dos irmãos da vítima, também militar, teria se identificado e negado o pedido. Em seguida, os policiais atiraram. O sargento Marcio Perez de Oliveira, de 36 anos, confessou o crime.

A família do adolescente está indignada. "Eles ficavam dizendo para registrar o caso como auto de resistência, mas nós não deixamos", afirmou o pai da vítima, Valmir Miguez da Silva, de 56 anos. "Foi uma covardia. O sargento olhou na minha cara rindo, sabendo que tinha matado meu filho." Em nota, o comandante-geral da PM, Erir Ribeiro Costa Filho, classificou a ação como "lamentável".

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