Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

PMs 'youtubers' fazem sucesso na web com vídeos sobre operações

Canal sobre a Rocam tem 65 mil inscritos e página no Facebook mostra rotina militar; PM diz que conteúdo não tem vinculação oficial 

Guilherme Mendes, Especial para O Estado

08 de outubro de 2015 | 10h00

Em um vídeo publicado em 23 de julho no YouTube, uma viatura da Rocam persegue uma motocicleta com dois suspeitos. A caçada atravessa um baile funk no meio da rua e diversas vias do bairro de Pedreira, na zona sul da capital paulista. O garupa da moto foge, mas a perseguição prossegue até a violenta colisão da moto em fuga com um caminhão. 

A cena, de quase 90 segundos, não possui cortes e não foi acompanhada por uma equipe de imprensa: trata-se de um vídeo semi-profissional, presente no canal Rocam 22M, especializado em ações policiais. De autoria do soldado Adriano Alcântara de Oliveira, a página no YouTube já tem mais de 65 mil inscritos.

Oliveira é um dos policiais que filmam as ações das quais participam e postam em canais nas redes sociais.

A repercussão dos vídeos surpreendeu o próprio Oliveira. "Não esperava (o sucesso) em tão pouco tempo. Esperava atingir o público, porque as pessoas gostam de ver determinadas situações, ainda mais quando você se refere à polícia."

Aos 32 anos, quatro como policial militar e três como soldado da Rocam, a divisão da PM operada com o apoio de motocicletas, Oliveira resolveu gravar o seu serviço com uma câmera acoplada ao capacete há pouco mais de três meses. Hoje, já pode ser considerado um youtuber em ascensão: os 31 vídeos do canal já somam 2,7 milhões de visualizações. O mais visto, uma perseguição em que os bandidos reagem contra policiais da corporação, foi reproduzido mais de 400 mil vezes. Segundo contas do próprio autor, para de cada 9 pessoas que "curtem" as imagens, só uma aperta o botão "não gosto disso" - uma opção no YouTube para opinar em relação ao conteúdo publicado.

Os vídeos de Oliveira não são as únicas imagens de policiais em redes sociais. O sargento da PM Francisco Alexandre Filho mantém uma página no Facebook que, após um ano e meio, reúne 160 mil fãs. Após o sucesso, a página pessoal passou a ser administrada por uma equipe de 12 pessoas.

"O foco é mostrar o policial, a rotina, como ele trabalha. É um trabalho voltado para a humanização da imagem do policial", pondera o sargento do 18.º batalhão da PM, em Pirituba.

O coronel Ricardo Gambaroni, comandante-geral da Polícia Militar, também mantém uma página na  mesma rede social, voltada para a publicação de fotos e textos com opiniões sobre o cotidiano da corporação.

Incentivo. Tanto o sargento Alexandre Filho quanto o soldado Oliveira afirmam receber incentivo de seus superiores para produzir o material. Foi do sargento a ideia de criar a página do Cabo Pitoco no Facebook, sobre um cachorro vira-lata e sua amizade com o oficial. Há oito meses no ar, a página já reúne mais de 58 mil fãs. Dez apoiadores publicam conteúdo, voltado principalmente para a adoção de animais e a promoção de encontros para conseguir doação de rações para ONGs. Segundo os criadores da página, o logotipo do Cabo Pitoco foi desenvolvido pela própria Polícia Militar, também responsável por ceder ao cachorro o direito de uso da patente.  

Segundo os policiais militares que mantêm as páginas na web, o maior cuidado em relação aos vídeos está na edição das imagens, de modo a não expor menores de idade e "determinadas situações em que a pessoa possa ver isso com maus olhos", diz Oliveira. "Quando se tratam de boas imagens, não sofremos qualquer tipo de restrição", afirma o sargento Alexandre Filho. "Só não podemos emitir opiniões pessoais nem sobre temas específicos."

Divulgação. A Polícia Militar, por meio de nota, informou "que o perfil no Facebook do comandante-geral da PM tem, entre as suas atribuições, a função de divulgar mensagens relevantes para todo o efetivo da corporação. Em relação às demais páginas citadas, elas não têm nenhuma vinculação oficial com a PM e as pessoas que se sentirem expostas indevidamente devem procurar diretamente os responsáveis por esses perfis".

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