PMs têm de fazer 'rodízio' de coletes à prova de bala

Atraso em licitação de 35 mil itens e o recolhimento de peças vencidas causaram problema; solução deve ficar para dezembro

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2012 | 02h03

Os policiais militares do Estado de São Paulo estão sendo obrigados a fazer um "rodízio" no uso de coletes à prova de balas no horário de serviço. Isso ocorre porque o equipamento de proteção individual está em falta e o comando da PM ainda não conseguiu fazer a reposição das peças. Uma licitação em andamento prevê a entrega de 35 mil peças - 60% na região de Araçatuba.

Até o ano passado, cada PM tinha um colete exclusivo, de uso individual. Mas recentemente eles foram retirados dos soldados porque muitos estavam com data de validade vencida e a quantidade que sobrou não era suficiente para atender toda a tropa.

Outro problema foi uma determinação do comando da PM que obrigou a tropa a usar colete com capa azul por baixo da farda. Mas o uso foi rejeitado porque causava imobilidade, desconforto e até micose. O comando revogou a medida, mas já tinha retirado da corporação as capas de cor marrom e, como é proibido usar colete com capas da mesma cor da farda, a falta do equipamento se agravou mais ainda.

Para evitar que homens ficassem sem a proteção, os comandos da PM então recolheram os coletes dos militares, adotando a chamada "operação arma-desarma". Com isso, os coletes passaram a ficar nos quartéis, com o militar usando o equipamento somente no horário de serviço. "O problema mais grave é que deixamos de usar esses coletes na ida ou vinda do trabalho, que também são momentos de riscos. E também porque muitas vezes pegamos alguns com tamanho maior ou menor, que não se encaixam corretamente no nosso corpo", declarou um PM que trabalha em Araçatuba. A reclamação é a mesma em outras regiões. O PM recebe o colete quando entra em serviço e o entrega para outro colega quando sai.

PM. Em nota, a corporação confirmou o problema ocorrido na licitação, mas não deu detalhes. "Tendo em vista a abertura de processo licitatório para compra de novos coletes, pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (Diretoria de Logística), ocorreu um problema em relação à entrega dos novos coletes pela empresa ganhadora da licitação", diz a nota, assinada pelo chefe da seção de Comunicação do Comando de Policiamento do Interior -10 (CPI-10), tenente Marcos Sorato Berti. "Assim, o Comando, visando a manter a segurança e a integridade física do policial militar, determinou a recolha de todos os coletes válidos para o uso, para que os mesmos sejam utilizados somente quando os policiais militares estejam trabalhando, numa forma de utilização que chamamos de 'arma e desarma'."

A assessoria da PM não informou quantos comandos no Estado estão enfrentando a falta do equipamento, mas a informação de um oficial, que pediu para não ser identificado, é de que apenas um lote, dos três da licitação, seria entregue em 16 de outubro para o Comando de Policiamento Metropolitano Leste (CPAM-4) e ao Comando de Policiamento do Interior/Litoral (CPI-6). Os outros comandos receberiam os equipamentos em outros dois lotes, marcados para ontem e para 2 de dezembro.

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