PMs também estão na lista dos ladrões de motos

Em meio à onda de violência dos últimos meses, Corregedoria investiga casos em que policiais foram vítimas de quadrilha

O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h52

Policiais militares de folga também estão na lista de vítimas que tiveram motos roubadas na cidade de São Paulo. Dois deles foram cercados por ladrões. Um no começo deste mês e outro no dia 7 de setembro. Eles estavam em motos potentes e foram pegos na região de Pirituba, na zona oeste, e em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, os casos têm relação com a quadrilha presa na Freguesia do Ó na tarde de anteontem.

Os dois boletins de ocorrência registrados pelos PMs em meio à onda de violência e a ameaças a policiais militares fizeram com que a Corregedoria da corporação apurasse os casos em parceira com a Polícia Civil. Segundo o major Rubens Esquierdo Marques Gonçalves, chefe do setor operacional da Corregedoria, um dos policiais abordados reagiu e baleou um suspeito, que acabou detido e passou informações de outros comparsas.

Segundo a Polícia Civil, os casos de roubo e furto de moto geralmente são investigados com o auxílio de câmeras de segurança. A polícia ainda faz varreduras em lojas que vendem artigos para motos e em desmanches mapeados pelas delegacias especializadas.

Em abril deste ano, o delegado Ruy Ferraz Fontes foi vítima de uma suposta tentativa de assalto no km 14 da Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O policial levava na moto uma investigadora. Os dois estavam em uma moto Ducati, quando foram abordados por dois suspeitos em outra moto. Houve troca de tiros. Um dos assaltantes morreu. O outro suspeito fugiu. A investigadora ficou ferida.

Adolescentes. No começo do mês, policiais civis prenderam um homem de 42 anos e apreenderam três adolescentes que estavam com motos roubadas e produtos ilegais na Vila Curuçá, zona leste da capital.

Após uma denúncia anônima, os investigadores foram até o endereço indicado e encontraram o quarteto e duas motos que haviam sido roubadas: uma Honda Titan laranja e uma Suzuki Yes prata.

Na casa também foram recolhidas placas das motocicletas e outras peças, além de uma terceira moto, sem placa e com o número do motor e chassi raspado.

Os adolescentes, de 15, 16 e 17 anos, estavam com um capacete, um revólver de brinquedo, um aparelho de solda para mecânicos, um filtro de ar para motos, uma placa de carro, um celular e uma capa de chuva para motociclistas.

As motos foram devolvidas para as vítimas. Uma delas reconheceu o menor de 16 anos como autor do roubo. A ocorrência foi registrada como receptação, localização e apreensão de objeto e veículo e ato infracional no 67.º Distrito Policial (Jardim Robru). / CAMILLA HADDAD

Um relatório que será divulgado hoje pela Anistia Internacional sobre a situação dos defensores dos direitos humanos na América Latina traz cinco casos emblemáticos brasileiros - dois deles envolvendo violência policial no Rio de Janeiro.

A morte da juíza Patrícia Acioli, em agosto de 2011, e a tentativa de assassinato do ativista Josilmar Macário dos Santos, que foi ameaçado após investigar por conta própria a morte do irmão por policiais, estão relatados no documento elaborado pela instituição.

Foram analisados casos de ameaças e agressões sofridas por 300 ativistas latino-americanos entre janeiro de 2010 e setembro de 2012. Do total, em apenas cinco ocorrências os responsáveis foram punidos.

"A impunidade e a falta de consequências para os crimes cometidos mostram um dado desanimador. Sinaliza uma certa autorização para que a violência continue a ser utilizada como instrumento e isso é tudo o que não queremos", afirma o presidente da Anistia Internacional no Brasil, Átila Roque. Dos casos analisados no relatório, quase 1/3 dos defensores em situação de risco é de ativistas que combatem a violência e a corrupção.

Os outros três casos citados envolvem conflitos por terra e outros recursos naturais. Um deles, também no Rio, é o dos pescadores da Associação Homens e Mulheres do Mar, que se opõe à construção de polo petroquímico na Baía de Guanabara. Os demais vêm ocorrendo no Norte do País: há ameaças à ambientalista Laísa Santos Sampaio, líder de grupo de extrativistas, no Pará, e a lideranças quilombolas no Maranhão. / HELOÍSA ARUTH STURM

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