PMs são suspeitos de pelo menos 25 homicídios

Balanço preliminar da Secretaria de Segurança Pública da Bahia aponta que, no período da greve parcial da Polícia Militar no Estado, entre 31 de janeiro e a noite de sábado, ocorreram 180 homicídios na Região Metropolitana de Salvador - 111 na capital e 69 nos demais municípios. Trata-se do mês de fevereiro mais violento já registrado na região. Ontem, primeiro dia após o fim da paralisação, foram registrados três homicídios na região - um na capital.

SALVADOR, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h04

Segundo dados do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), há "fortes indícios" de execução em 45 dos 180 casos. Entre esses, existe a suspeita de participação de policiais ou ex-PMs em "de 25 a 30" assassinatos no período, segundo o diretor do órgão, delegado Arthur Gallas. Os "15 ou 20 restantes" são atribuídos a disputas entre traficantes de drogas e cobranças de dívidas do tráfico.

"Os crimes suspeitos de envolver policiais são característicos desses grupos que fazem segurança clandestina em áreas populares, a pedido de comerciantes", afirma Gallas. "Em todos esses casos, as vítimas são jovens, negras, usuárias de drogas, sem residência fixa, com histórico de furtos e roubos nas regiões em que circulavam. São pessoas que prejudicam os negócios dos comerciantes."

Dificuldades. De acordo com Gallas, há "vários PMs suspeitos" de envolvimento nos crimes, mas há dificuldades nas investigações - entre outros motivos, pela pouca colaboração dada pelos integrantes da categoria. "As corporações têm conhecimento de muitos dos casos, mas eles são abafados, pela própria cultura dos militares."

"O que notamos foi um crescimento dos índices de criminalidade dentro da área (territorial) em que ocorriam crimes antes da greve. Então temos de ter o cuidado de avaliar o que foi, de fato, resultante da paralisação", diz o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa. "Ainda não temos elementos para atribuir os homicídios ao comando da greve, mas há fortes indícios, em alguns casos, da intenção de causar comoção na sociedade para pressionar o governo." /T.D.

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