PMs são presos por morte de jovens

Comando do 50º Batalhão é afastado; dupla desapareceu após ser vista com policiais e principal prova é sangue de vítima em viatura

Felipe Grandin, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2010 | 00h00

A Justiça Militar decretou ontem a prisão temporária de quatro PMs suspeitos de terem matado dois jovens em setembro, em Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo. O caso ainda fez o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afastar o comandante do 50.º Batalhão, tenente-coronel Ednaldo Cirino dos Santos, e o comandante da Companhia de Força Tática do 50º BPM/M, capitão Henrique Mota Neves.

Três soldados e um tenente que atuam no 50.º são investigados. Já foi descoberto que o tenente teria sido agredido por uma das vítimas antes de entrar para a PM, há quatro anos. Ontem foi concluído o exame de DNA que mostrou que o material genético do sangue encontrado em uma viatura Blazer da Força Tática era compatível com o do vigilante Emerson Heida, de 28 anos, cujo corpo foi encontrado carbonizado no dia 26, em Parelheiros, também na zona sul.

Outro indício de que os policiais militares participaram do crime é que no dia do desaparecimento, 10 de setembro, a Blazer em que estavam os suspeitos rodou mais do que o dobro da quilometragem das outras viaturas do mesmo batalhão.

Outro corpo foi encontrado na madrugada de ontem em Parelheiros e a polícia suspeita que seja o do metalúrgico Edson Edney da Silva, de 27 anos, que estava com o amigo Emerson na última vez que foram vistos sendo revistados por PMs. Quem testemunhou a cena foi o irmão de Emerson, Anderson Heida. "Até ontem não havia provas concretas que permitissem a prisão dos suspeitos. Só com a conclusão do exame de DNA, somada aos outros elementos, é que essa possibilidade foi concretizada", afirmou o tenente Cláudio Cesar Capelari, porta-voz da Corregedoria da PM.

Desaparecimento. Emerson e Edson foram vistos pela última vez no dia 10 de setembro sendo revistados por PMs em uma blitz em Cidade Dutra. No dia seguinte, a família denunciou o desaparecimento à Corregedoria.

Três dias depois, foi encontrado um Kadett carbonizado, a 15 quilômetros da região de Parelheiros onde o corpo foi localizado. Mais tarde se confirmou que o veículo era o de Emerson.

Logo após a denúncia à Corregedoria, a Polícia Militar investigou centenas de relatórios de serviço dos policiais que trabalharam na região naquele dia. "Um deles destoou dos demais porque a quilometragem tinha mais do que o dobro rodado do que as outras viaturas", disse o tenente. Com base nisso, apreenderam a Blazer e fizeram perícia. Encontraram manchas de sangue no guarda-preso. Foi pedido exame de DNA que comparou esse sangue com o material genético fornecido pelas mães de Emerson e Edson.

Prisão. Na manhã de ontem a Corregedoria prendeu administrativamente os quatro policiais militares e a prisão temporária foi decretada ontem à tarde. O inquérito ainda está em andamento e serão apuradas mais informações sobre a rixa entre o PM e a vítima e também se o corpo encontrado ontem pertence à segunda vítima.

Segundo o porta-voz da Corregedoria da PM, dois policiais negaram ter cometido o crime. Os outros dois preferiram não se manifestar.

CRONOLOGIA

10 de setembro

Emerson Heida e Edison Edney da Silva desapareceram após serem abordados por PMs na Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo

11 de setembro

Corregedoria da PM e 48º Distrito Policial iniciam investigação

14 de setembro

Kadett vermelho no qual os amigos estavam aparece queimado em Parelheiros

23 de outubro

Corpo carbonizado é encontrado em matagal na Estrada da Ponte Seca, em Parelheiros, próximo de onde estava o Kadett. A PM encontra vestígios de sangue em viatura

25 de outubro

Anderson Heida identifica o corpo de seu irmão Emerson

4 de novembro

Polícia suspeita que outro corpo encontrado em Parelheiros seja de Edison Edney

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