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PMs são acusados de fraudar provas de morte de travesti

Policiais foram chamados para socorrer a vítima, que levara uma facada; Laura Vermont tentou fugir com viatura e acabou baleada

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Dois policiais militares suspeitos de matar uma travesti na zona leste da capital paulista, no fim de semana, estão presos no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Ailton de Jesus, de 43 anos, e Diego Clemente Mendes, de 22, também são acusados de forjar provas e de prestar declarações mentirosas na delegacia para tentar escapar da prisão.

Segundo a Polícia Civil, a travesti Laura Vermont, nome adotado por David Laurentino de Araújo, de 18 anos, foi a uma festa na Avenida Nordestina, na região da Vila Jacuí, na madrugada de sábado. Lá, brigou com outra travesti e ficou com ferimentos no rosto e em outras parte do corpo.

A abordagem. A Polícia Militar foi chamada e os dois agentes suspeitos tentaram apartar a briga. Laura escapou da abordagem, fugiu dirigindo o carro dos policiais, mas acabou batendo em um poste. 

Em seguida, ainda de acordo com as investigações, teria sido alcançada e começou a ser agredida pelos PMs, que só pararam com a chegada da família da travesti, que a levou para um hospital próximo, onde morreu.

Inicialmente, os policiais militares contaram na delegacia que após fugir no carro oficial e bater em um poste, a travesti ainda saiu do veículo e bateu a cabeça contra um muro e, mesmo atordoada, ainda saiu andando e bateu a cabeça em um ônibus. Os PMs disseram também que levaram Laura para o hospital. Eles até apresentaram uma testemunha que, depois, confessou que teve de escrever em um papel o que iria dizer no depoimento para não prejudicar os policiais.

A farsa só foi descoberta porque a mãe de Laura ligou para a Corregedoria da PM e também localizou testemunhas que desmentiram os policiais na delegacia. 

Outro caso. Em abril, a travesti Verônica Bolina, nome usado por Charleston Alves Francisco, foi agredida dentro da carceragem do 2.º DP, no Bom Retiro, região central, por policiais civis e militares, após arrancar a dentadas parte da orelha de um carcereiro que teria tentado apartar uma briga com outros presos. O caso ganhou repercussão nacional.

A travesti está sendo processada por suspeita de tentar matar uma vizinha. Depois da agressão, Verônica ficou com o rosto desfigurado. A agressão é investigada pelo Ministério Público e pelas Corregedorias das Polícias Civil e Militar. Ela continua presa em um Centro de Detenção Provisória (CDP) por determinação da Justiça e é defendida no processo pela Defensoria Pública.

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