PMs são acusados de espancar taxista

Motorista conta que caso ocorreu no fim de semana no centro; policiais também são suspeitos de ter furtado aparelho de dentro do táxi

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2012 | 03h03

Seis policiais militares, entre eles um tenente, são acusados de espancar e furtar um taxista de 29 anos na madrugada de domingo no centro da cidade. A ocorrência foi registrada no 8.º Distrito Policial (Brás). A vítima, que diz ter levado chutes na cabeça, procurou a Corregedoria da corporação, que vai investigar o caso. Os PMs trabalham no 7.º Batalhão, na Avenida Angélica.

De acordo com o depoimento do taxista na delegacia, a confusão começou às 4h, quando ele passou por uma viatura que estava parada na Rua Alfredo Maia, região da Luz. Ele levava uma enfermeira com urgência até a Santa Casa de Misericórdia, na Santa Cecília, e por isso estaria em alta velocidade. O motorista diz que foi parado pela equipe e justificou que estava a caminho do hospital, sendo liberado em seguida.

Só que na saída do hospital, segundo ele, os mesmos policiais o esperavam do lado de fora. O táxi que ele dirigia foi então seguido pelas viaturas até um posto de gasolina na Avenida Amaral Gurgel, próximo da Rua Major Sertório. Ali, ele conta que foi parado novamente, teve o carro vasculhado pelos PMs e levou "injustamente" três multas: uma por problemas no extintor, outra por direção perigosa e uma terceira por avançar o sinal vermelho. De acordo com o taxista, o extintor estava em bom estado - inclusive foi apresentado no plantão policial. Em relação às outras multas, ele nega que tenha passado no farol vermelho ou dirigido de forma perigosa no trânsito.

Inconformado com as autuações aplicadas pelos policiais, o taxista conseguiu fugir e acabou indo até a sede Corregedoria, que fica no centro. A vítima diz que, depois de alguns instantes, a equipe acusada por ele apareceu para buscá-lo após a determinação de um tenente. De lá, eles seguiram para a delegacia. Mas no caminho, na Avenida Rio Branco, o taxista conta em depoimento que foi parado de novo e começou a ser agredido. No boletim, a vítima diz ter até perdido os sentidos com as pancadas.

Furto. Após retornar ao veículo, o taxista diz ter notado que o PDA, aparelho usado pela categoria, tinha desaparecido. Segundo ele, um policial chegou a dirigir o veículo, um Meriva, já que ele diz ter ficado algemado dentro da viatura por um período.

Em nota, a Polícia Militar afirma que o taxista registrou a denúncia na Corregedoria e até ontem à noite os acusados pelas agressões não tinham sido identificados.

No inquérito aberto no 8.ºDP, os PMs são investigados por abuso de autoridade, furto e condescendência criminosa - crime ocorrido quando um funcionário público deixa de punir subordinado que cometeu infração.

A passageira do táxi deve ser ouvida nos próximos dias e a polícia vai checar se existem imagens de câmeras no entorno da Santa Casa e no posto de gasolina em que o taxista foi parado.

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