PMs põem fogo em morador de rua de Taboão

Acusados dizem que o flagraram furtando construção e apenas emprestaram um isqueiro, mas Corregedoria ouviu o sobrevivente e prendeu policiais

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

Seis policiais militares foram acusados de colocar fogo no morador de rua Ednaldo da Silva Santos, de 25 anos, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, na madrugada de ontem. Os PMs são da 2.ª Companhia do 36.° Batalhão da Polícia Militar e foram acusados pela vítima, que sobreviveu às queimaduras.

A ocorrência começou às 2 horas. A viatura foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender uma ocorrência de furto a residência. Os policiais foram ao local e, segundo eles, viram Santos, morador de rua e usuário de drogas, furtando materiais em uma construção. Eles avisaram ao Copom e a ocorrência foi dada por encerrada.

Cerca de uma hora depois, o Copom recebeu a informação de que o autor do furto havia dado entrada com queimaduras no Pronto-socorro de Taboão da Serra. O morador de rua sobreviveu e foi ouvido por policiais da Corregedoria. Acusou os seis policiais militares de tê-lo queimado vivo. "Ouvimos testemunhas, fomos ao local do crime e temos indícios suficientes para denunciar os seis policiais por tentativa de homicídio", disse o capitão Luiz Antônio Rosa, do Comando de Policiamento de Área Metropolitano 8.

Na versão dos policiais, o morador de rua teria pedido a eles fogo para acender um cigarro. Os policiais teriam dado um isqueiro e, por acidente, o morador de rua acabou colocando fogo em si próprio.

Tanto a PM quanto a Polícia Civil abriram inquérito para investigar o caso. Os policiais acusados devem responder por tentativa de homicídio e tortura. Eles receberiam voz de prisão ainda ontem, depois que os inquéritos tivessem sido lavrados. A PM não divulgou o nome dos acusados.

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