PMs não são unânimes sobre tiro antes de invasão no caso Eloá

Apenas o depoimento de Nayara vai poder esclarecer se houve ou não disparo antes da invasão

22 de outubro de 2008 | 09h24

Os policiais militares do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) que invadiram o apartamento onde Eloá Cristina Pimentel e Nayara Rodrigues da Silva, ambas de 15 anos, eram feitas reféns por Lindemberg Alves, de 22 anos, não são unânimes sobre o tiro que teria sido disparado antes da invasão. Apenas o depoimento de Nayara, que deve acontecer na quinta-feira, 23, pela manhã, resolverá a principal dúvida que resta para a conclusão do inquérito policial sobre a tragédia no ABC. Quatro dos cinco PMs que invadiram o local confirmaram o tiro inicial.   Veja também: Nayara fará cirurgia e deve ter alta à tarde Leia o depoimento de Nayara após ser libertada Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá       Na terça, o Jornal Nacional, da Rede Globo teve acesso aos depoimentos dos policiais que participaram da operação. Eles não são unânimes sobre o disparo, que teria feito a polícia decidir pela invasão do apartamento. Na noite de terça, a polícia ainda ouvia vizinhos da família Pimentel para detalhar o que ocorreu na sexta-feira, a partir das 18 horas. A Corregedoria da PM já abriu uma investigação sobre os procedimentos adotados pelo Gate.   O comando do grupo de invasão era do tenente Paulo Sérgio Schiavo. Ele declarou que foi o último a entrar e que foi quem tirou Nayara do apartamento. Segundo o tenente, por volta das 2 horas (não fica claro se da madrugada ou da tarde) de sexta-feira, Lindemberg havia feito um disparo dentro do apartamento e ficou acertado que, caso isso se repetisse, haveria a invasão. Um tiro às 18 horas causou o ataque, conforme o comandante.   Nos depoimentos divulgados pela Rede Globo, o soldado Daylson Moreira Pereira relata que foi o primeiro a entrar e foi recebido a tiros. Já o sargento Mário Magalhães Neto atirou com a espingarda calibre 12, carregada com balas de borracha, contra Lindemberg, mas não conseguiu atingi-lo.   Os agentes não relataram ao delegado terem visto o rapaz atirando contra as jovens. Lindemberg teria, no entanto, disparado seguidas vezes contra os PMs - chegando a atingir o escudo de um deles. Após descarregar a arma, o jovem levantou os braços e se rendeu.   Vizinhos   No dia da tragédia, após o resgate das jovens Eloá e Nayara e da prisão de Lindemberg, o Jornal da Tarde ouviu os vizinhos. A esteticista Maria Aparecida Mariano da Costa, de 41 anos, moradora do bloco 20, ao lado do bloco 24, onde Eloá ficou em cativeiro, contou que ouviu o barulho de um disparo antes da explosão da bomba que arrombou a porta do apartamento onde estavam Lindemberg e as duas reféns. "Estava cozinhando quando ouvi um tiro. Em seguida, ouvi a explosão e mais três disparos. Corri para a janela, mas fiquei com medo."   Vizinhos de outros blocos não ouviram o primeiro disparo. Só a explosão e, em seguida, os outros três tiros. Eles disseram que viram os policiais jogarem a bomba, invadirem o apartamento e cercarem Lindemberg. "Ouvia os policiais gritando que as meninas estavam feridas", disse uma das moradoras. A polícia começou a ouvir na terça os vizinhos, mas não divulgou nomes nem o teor das declarações.

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